La Paz, 17 ago (EFE).- Os líderes opositores de cinco departamentos (estados) da Bolívia marcaram uma greve geral para terça-feira contra o Governo de Evo Morales que ratificou hoje que descarta militarizar Santa Cruz ou decretar estado de sítio no país.

O presidente do Comitê Cívico de Chuquisaca, John Caba, disse hoje que seu departamento, além de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando se vêem "obrigadas" a iniciar medidas para exigir do Executivo que restitua a porcentagem da renda petrolífera que desde este ano passou a ser menor.

O Governo Morales diminuiu a porcentagem repassada a estes para pagar um bônus de US$ 28 mensais aos maiores de 60 anos no país, mas, segundo os líderes departamentais opositores, a soma retida está acima do necessário para o pagamento do benefício.

"Não temos outra alternativa além de exigir estes recursos pela via da pressão", disse Caba, ao afirmar que muitos projetos departamentais estão sendo postergados pela falta desses fundos, embora o Governo Morales tivesse negado esse extremo.

A briga pela renda petrolífera, que segundo o Executivo não tem justificativa porque a diminuição já teria sido compensada, começou em janeiro passado quando se iniciou o pagamento de bônus aos maiores de 60 anos e, há pouco tempo, passou a incluir também greves de fome por parte de líderes departamentais.

A tensão aumentou na sexta-feira passada quando o setor dos incapacitados, que protesta para reivindicar um bônus anual de 3 mil bolivianos (US$ 421), foi reprimido com violência em Santa Cruz pela Polícia.

O conflito provocou uma reação contra essa entidade e parte de setores radicais autonomista de Santa Cruz que gerou pelo menos 20 feridos, após várias horas de enfrentamento.

A Polícia de Santa Cruz ficou temporariamente sob comando de três generais enviados de La Paz, enquanto se soluciona o problema de sua chefia departamental.

O ministro da Defesa Wálker San Miguel confirmou hoje, à rádio "Patria Nueva", que, em relação à situação de Santa Cruz, o Governo não tem "um plano, nem uma alternativa de militarização".

Também disse que as forças de segurança estão alertas perante a possibilidade de violência durante a greve de terça-feira, mas descartou o "estado de sítio" porque, segundo ele, o Governo Morales "aposta na maturidade do povo boliviano". EFE ja/bm/rr

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