Oposição mantém pressão em quatro regiões da Bolívia

Grupos civis e funcionários públicos ligados aos governadores contrários ao presidente Evo Morales reforçaram nesta quinta-feira seus protestos em quatro dos nove departamentos da Bolívia, agravando a crise que domina o país.

AFP |

No incidente mais grave de hoje, pelo menos oito pessoas morreram e várias ficaram feridas em combates entre opositores e partidários de Morales no departamento de Pando, na fronteira entre Bolívia e Brasil.

Os confrontos ocorreram na comarca de Porvenir, 30km a leste da cidade de Cobija, capital de Pando, quando grupos cívicos e funcionários do governo local tentaram impedir uma reunião de camponeses pró-Morales.

Na cidade de Santa Cruz, capital da região mais rica da Bolívia e base da oposição de direita, jovens ligados ao comitê cívico-empresarial enfrentaram grupos aliados ao governo central, sem maiores consequências.

No subúrbio popular de 'Plan 3.000', bastião eleitoral de Morales no sudeste de Santa Cruz, militantes contra e pró-Morales brigaram nas ruas, mas não foram registrados feridos.

O governador de Santa Cruz, Rubén Costas, um dos principais líderes do movimento contra Morales, condenou o vandalismo e os saques realizados por estudantes de extrema direita, mas também culpou La Paz pela atual crise no país.

Segundo Costas, o governo Morales "planeja deter pessoas, líderes e máximas autoridades de Santa Cruz e do país".

Santa Cruz de la Sierra, capital de Santa Cruz (sul), está totalmente isolada do resto do país devido a bloqueios de estradas instalados tanto por grupos oposicionistas quanto por seguidores de Morales.

O único acesso possível a esta cidade de 1,4 milhão de habitantes é por via aérea. Entretanto, militantes de direita bloquearam o aeroporto internacional de Viru Viru, o de maior movimento do país.

Na cidade de Tarija (sul), jovens ligados ao comitê cívico-empresarial local acuparam o aeroporto Oriel Lea Plaza, mas a presença dos militares ainda permitia a realização de alguns vôos domésticos.

Os incidentes em Tarija, que começaram na quarta-feira, deixaram 17 feridos e 60 contundidos, segundo o médico do hospital público San Juan de Dios Germán Hoyos, citado pelo canal de televisão ATB.

Em Yacuiba, no extremo sul da Bolívia, grupos civis opositores tomaram o aeroporto local sem incidentes.

Entre os cinco departamentos que fazem oposição a Morales, apenas Chuquisaca viveu um dia tranquilo.

O ministro de Governo (Interior), Alfredo Rada, principal responsável pela segurança interna, disse que os distúrbios são liderados pelos governadores e dirigentes cívicos de oposição.

"Os confrontos em Santa Cruz, Pando, Tarija e Beni são de exclusiva responsabilidade dos dirigentes cívicos e do governadores da oposição", que promovem um golpe cívico-governamental.

Morales enfrenta há meses uma dura batalha com os governadores da chamada Meia Lua, região formada pelos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando e Chuquisaca, que rejeitam a nova Constituição e exigem uma maior autonomia em relação a La Paz, mas o movimento foi radicalizado nos últimos dias em quatro províncias opositoras.

jac/yw/LR

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