Uma reunião convocada pelo partido opositor do Zimbábue Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) não conseguiu chegar a uma decisão neste sábado sobre a possibilidade de seu líder, Morgan Tsvangirai, participar de um segundo turno das eleições presidenciais contra o atual presidente, Robert Mugabe. A Comissão Eleitoral do país anunciou na sexta-feira, mais de um mês após o primeiro turno das eleições presidenciais, que Tsvangirai havia sido o mais votado, mas que não havia alcançado a maioria absoluta, tornando necessário um segundo turno.

O MDC, porém, afirma que Tsvangirai venceu no primeiro turno e classificou o anúncio da Comissão Eleitoral como "fraude".

Além disso, a violência política verificada no último mês no país, em meio à falta de notícias sobre a contagem oficial de votos, pode tornar difícil a realização de uma nova votação com legitimidade.

Intervenção
Uma delegação do MDC deve partir à África do Sul, onde está Tsvangirai, antes de tomar a decisão final sobre participar ou não do segundo turno.

A oposição deseja uma intervenção da comunidade internacional para melhorar o clima político no país e permitir uma transição.

O vice-presidente do MDC, Hokozani Khupe, pediu ajuda ao bloco regional do sul da África, Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC na sigla em inglês).

O governo também tem suas preocupações com o atual clima político e acusa a Grã-Bretanha e os Estados Unidos de financiar a oposição.

Bright Matonga, vice-ministro de Informação do Zimbábue, disse à BBC que o segundo turno poderia ocorrer logo, mas advertiu que a violência poderia adiar a votação por até um ano se as autoridades eleitorais considerarem necessário.

"O prazo é 21 dias após a declaração dos resultados. Porém se a Comissão Eleitoral considerar de maneira diferente, a Constituição prevê que pode ser feito em um prazo de 12 meses", disse Matonga.

Mugabe, um dos heróis da independência do Zimbábue do domínio britânico, se mantém na Presidência desde 1980 e é acusado pela oposição de presidir o país de maneira autoritária e repressora.

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