Oposição italiana apresenta moção de censura contra Berlusconi

Em outra mostra de pressão contra premiê italiano, membros de partido de ex-aliado devem sair do Executivo na segunda-feira

iG São Paulo |

A principal legenda de oposição na Itália, o Partido Democrata (PD), apresentou nesta sexta-feira na Câmara dos Deputados uma moção de censura contra o governo de Silvio Berlusconi, com o apoio do também opositor partido Itália dos Valores (IDV). Em resposta, o Povo da Liberdade (PDL) de Berlusconi apresentou uma moção de confiança ao governo no Senado, onde o premiê conta com a maioria.

Nenhuma das moções tem data, mas não devem ser votadas até que o governo aprove os Orçamentos e o Plano de Estabilidade, daqui 10 a 12 dias. O prazo foi pedido pelo presidente italiano, Giorgio Napolitano, que quer evitar o aumento da instabilidade e conter a previsível especulação da dívida do país nos mercados internacionais.

O líder do PD, Pierluigi Bersani, pediu ao presidente da Câmara dos Deputados e ex-aliado de Berlusconi, Gianfranco Fini, para que sua legenda Futuro e Liberdade para a Itália (FLI) apoie a moção. O líder do IDV, Antonio Di Pietro, também pediu o apoio do FLI: "Para a moção ser aprovada tem de haver o voto do FLI. Se nossa medida não os agradar, eles podem apresentar a deles que nós assinamos."

Tudo parece indicar que a batalha entre Berlusconi e Fini, desde que este foi expulso do partido governista PDL em 29 de julho, transferiu-se para o Parlamento, onde Fini conta com 35 deputados e 10 senadores. Seu partido também tem um ministro, um vice-ministro e dois subsecretários no Executivo.

Apenas dois anos e meio depois de ganhar as eleições gerais com a maioria mais ampla da história republicana da Itália, e apesar de o governo ter vencido as quatro votações realizadas nesse período, as diferenças entre Berlusconi e Fini estão perto de pôr fim à legislatura.

Na segunda-feira, os membros do partido de Fini, que não anunciou se apoiará a moção de censura na Câmara, devem demitir-se de seus cargos. Nesse dia, Berlusconi deve se reunir com o líder da Liga Norte, Umberto Bossi, para estreitar a aliança entre as legendas.

Na segunda-feira, além da provável saída do Executivo dos ministro do partido de Fini, o subsecretário de Infraestrutura e Transportes, Giuseppe Maria Reina, também deve renunciar após a decisão de seu partido, o siciliano MPA, de sair do governo Berlusconi.

Em comunicado, o MPA, um dos tradicionais aliados de Berlusconi, explicou que "existe no país um insuportável clima de acerto de contas" e que "a presença do partido no Executivo não se ajusta aos compromissos que foram feitos com os eleitores".

*Com EFE

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