Oposição israelense reivindica eleições após anúncio de renúncia de Olmert

Ana Cárdenes Jerusalém, 31 jul (EFE).- A oposição israelense reivindicou hoje a convocação de eleições gerais após o anúncio feito na noite desta quarta de que o primeiro-ministro do país, Ehud Olmert, não se apresentará para as primárias de seu partido, o Kadima, em setembro e que deixará o cargo.

EFE |

O atual Governo israelense é um "fracasso total" que "chegou a seu fim", afirmou hoje o líder da oposição do conservador partido Likud, Benjamin Netanyahu, favorito em todas as pesquisas de intenção de voto de uma eventual eleição.

Netanyahu acredita que a "responsabilidade nacional" exige novas eleições legislativas, "presida quem presidir o Kadima", e se mostrou contrário à formação de um novo Governo liderado por quem vencer as primárias do partido governista.

O deputado Yitzhak Aharonovitch, do oposicionista ultranacionalista Yisrael Beiteinu (Israel Nossa Casa), também se mostrou a favor de eleições por considerar que "em um Estado democrático a nação elege seu líder quando o primeiro-ministro renuncia".

O vice-primeiro-ministro, membro do Kadima e braço direito de Olmert, Haim Ramon, reconheceu que "a probabilidade de realização de novas eleições é alta".

Amanhã Olmert voltará a ser interrogado pela Unidade de Fraude da Polícia israelense por um caso de suborno e outro de duplicidade de faturas no desempenho de mandatos anteriores em outros cargos públicos - quando recebeu envelopes cheios de dinheiro do empresário americano Morris Talansky -, o que motivou sua renúncia.

A expectativa é que dentro de três semanas a Polícia entregue à Procuradoria os resultados da investigação, e esta decidirá formalmente se acusa ou não o atual chefe de Governo israelense.

A legislação israelense obriga o primeiro-ministro a renunciar somente três meses após ser declarado culpado de um "crime que inclua corrupção moral", mas a atual situação de Olmert, com pouco apoio tanto dentro da coalizão governista quanto no seio de seu próprio partido, tornou muito difícil que continuasse à frente do Executivo.

No entanto, apesar do anúncio de ontem, os analistas políticos estimam que Olmert poderia seguir à frente do país, inclusive por mais seis meses.

Após a realização das primárias do Kadima em 16 de setembro, o novo líder deverá tentar formar uma nova coalizão de Governo, o que poderia se prolongar até novembro.

Caso não consiga parceiros suficientes, seria necessário convocar eleições gerais antecipadas, tal como reivindica a oposição, e Olmert poderia continuar no poder inclusive até fevereiro ou março de 2009.

A saída de Olmert gera dúvidas sobre a continuidade do processo de paz com os palestinos, relançado em novembro de 2007 em Annapolis (Estados Unidos) com o compromisso das duas partes de se obter um acordo antes do final deste ano para a criação de um Estado palestino.

A chefe da equipe de negociação e membro do Kadima, a ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, é a favorita para suceder Olmert, por isto, se for eleita e este partido conseguir uma nova coalizão de Governo, as negociações poderiam seguir com a direção atual.

No entanto, se o Kadima não encontrar apoios para continuar no poder e se novas eleições forem realizadas, a postura israelense nas negociações poderia ter uma grande mudança.

Netanyahu, que conta com 35% das intenções de voto, contra 27% de Livni, mantém uma linha mais dura diante das concessões que poderiam ser feitas para conseguir a paz com os palestinos.

Uma fonte da equipe de negociação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) disse à Agência Efe que não há "condições para se chegar a um acordo em setembro", mas frisou que "os acordos de paz são entre Israel e a OLP, não entre Ehud Olmert e (o presidente da Autoridade Nacional Palestina) Mahmoud Abbas".

"Para nós não há nenhuma diferença entre ter Olmert ou Netanyahu, vamos defender nossa posição da mesma forma", encerrou. EFE aca/wr/fal

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