Oposição iraquiana vence eleições, mas terá que formar alianças

Bagdá, 26 mar (EFE).- A coalizão opositora Al Iraqiya obteve o primeiro lugar nas eleições parlamentares realizadas no último dia 7 no Iraque, segundo os resultados divulgados hoje, mas não conseguiu o número suficiente de cadeiras para governar sozinho.

EFE |

Os dados da apuração final dão à coalizão Al Iraqiya 91 das 325 cadeiras que estavam em disputa, seguida da coalizão Estado de Direito, do primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, com 89 deputados.

Em terceiro lugar ficou a Aliança Nacional Iraquiana (ANI), dominada por xiitas, que obteve 70 deputados e que pode se tornar voto de minerva para formar uma maioria de Governo.

Os dados são ainda provisórios e têm que ser ratificados pela Corte Suprema do Iraque. Mas antes os partidos políticos têm três dias de prazo para apresentar apelações.

Imediatamente após a divulgação da apuração dos votos, al-Maliki expressou inconformidade e antecipou que a coalizão Estado de Direito recorrerá aos meios legais para contestar.

"Os resultados não são definitivos e geram dúvidas", afirmou al-Maliki, que acrescentou que "o Estado de Direito contestará esses resultados perante a Corte Suprema, porque tem documentos irrefutáveis referentes à manipulação".

O chefe da Missão da ONU no Iraque, Ad Melkert, afirmou que "os resultados representam a vontade do povo".

Melker qualificou as eleições como "críveis", pediu aos partidos políticos respeitar os resultados e disse que a missão da ONU não tinha encontrado "falha sistemática" ou sinais de fraude, mas sim "algumas imperfeições", porque "nenhuma eleição no mundo é perfeita", acrescentou.

A divulgação dos dados finais provisórios foi divulgada pouco depois que, em um novo dia de violência do Iraque, pelo menos 53 pessoas morreram e outras 105 ficaram feridas na explosão de dois artefatos explosivos perto da cidade de Baquba (norte).

As explosões, causadas por uma bomba e um carro-bomba, ocorreram perto de dois restaurantes de um mercado popular da cidade de Al Khales, 15 quilômetros ao norte de Baquba, capital da província de Diyala, uma das áreas mais conflituosas do país.

No domingo passado, quando se aproximava o final da apuração, al-Maliki pediu a realização de uma apuração manual de todos os votos por causa das irregularidades denunciadas por grupos políticos que não identificou.

No entanto, a Comissão Eleitoral rejeitou essa possibilidade.

Segundo ela, só era possível a apuração manual em algum distrito eleitoral quando houver denúncias de irregularidades que a justifiquem.

"A postura da Comissão Eleitoral de rejeitar a apuração manual é inaceitável e ao mesmo tempo incompreensível", disse o primeiro-ministro.

Uma vez conhecidos os resultados, tanto al-Maliki como a principal figura política da coalizão Al Iraqiya, Ayad Allawi, se mostraram dispostos a articular alianças para poder governar.

"Trabalharemos para formar o bloco (político) predominante no próximo Parlamento", antecipou al-Maliki.

Allawi, por sua vez, disse que os iraquianos haviam eleito "de maneira clara" a coalizão que liderava e afirmou que trabalhará com os outros grupos políticos, "sem fixar limites", para formar um novo Governo.

Antes da votação do dia 7 já se considerava que nenhuma das coalizões conseguiria votos suficientes para formar Governo sozinho, já que era difícil que algum dos grupos conseguisse reunir 163 deputados.

A aliança mais viável, segundo analistas políticos e fontes diplomáticas, pode ser uma entre al-Maliki e a aliança xiita, a ANI, o que garantiria 169 cadeiras.

Um dos pilares da aliança xiita, o Conselho Supremo Islâmico do Iraque, foi aliado político de al-Maliki, mas nessa coalizão também está um antigo inimigo do primeiro-ministro, o clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr.

Nem sequer com o respaldo da coalizão governante na região autônoma do Curdistão iraquiano, que obteve 42 cadeiras, Allawi poderia governar. Por isso, o primeiro-ministro terá que ampliar seu apoio com grupos menores e, possivelmente, rompendo com a aliança xiita. EFE ah/sa

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