Oposição iraniana protesta em dia de festa sagrada xiita

Javier Martín. Teerã, 27 dez (EFE).- A festa da Ashura, a mais importante e sagrada do calendário islâmico xiita, se tingiu hoje de sangue no Irã, onde fortaleceram-se os violentos enfrentamentos entre as forças de segurança e grupos da oposição pró-reformista.

EFE |

Segundo diversos sites opositores, pelo menos quatro pessoas morreram em sangrentos choques com a Polícia e grupos de milicianos islâmicos Basij nas ruas do centro de Teerã.

De acordo com o site "Nasimfarda", três pessoas teriam morrido na emblemática avenida Enguelab e uma quarta teria perdido a vida no cruzamento com a rua Kalej, também no centro da capital.

Naquela região, que foi palco em 1979 da revolta contra a tirania do último Xá da Pérsia, Mohamad Reza Pahlevi, grupos antigovernamentais gritaram novamente "morte ao ditador", enquanto vários carros da Polícia foram incendiados, acrescentou a fonte.

Um dos mortos seria um dos sobrinhos do principal líder da oposição, Mir Hussein Moussavi, informou o site opositor "parlemannews.ir".

Segundo o site, que foi bloqueado imediatamente , Ali Moussavi, de 35 anos, teria sido ferido por uma disparo na avenida Enguelab e teria morrido antes de ser transferido para o hospital Ibn Sina, em Teerã.

Nenhuma das informações foi confirmada de forma independente, já que o Governo iraniano proibiu que a imprensa internacional trabalhasse nas ruas e que cobrisse as manifestações da oposição.

Poucas horas depois que as notícias foram divulgadas através da internet, apesar das restrições impostas pelo regime, o chefe da Polícia de Teerã, Azizulah Rajabzadeh, negou os fatos para a imprensa local.

"A Polícia não disparou em Teerã já que os agentes não carregam armas de fogo. Até o momento não há informações sobre a morte de pessoas", afirmou o comissário, em declarações divulgadas pela agência estudantil de notícias "Isna".

Rajabzadeh admitiu que as ruas Enguelab e Azadi, no centro da capital, foram o principal palco das manifestações e que nos distúrbios houve feridos tanto entre oficiais da Polícia quanto entre os manifestantes.

Além disso, afirmou que houve várias detenções, mas não precisou o número.

No entanto, sites reformistas como o "Nasimfarda" asseguraram que algumas das forças de repressão estavam armadas com bastões, correntes e até facas.

Os protestos em um dia tão importante para os xiitas, como é a Ashura, em que é lembrado o assassinato no ano de 680 de seu terceiro imame, Hussein, neto do profeta Maomé, parece aprofundar ainda mais a crise política que agita o Irã desde a polêmica reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em junho.

Depois da divulgação do resultado das eleições, milhares de seguidores do movimento verde, liderado pelos candidatos derrotados Mir Hussein Moussavi e Mehdi Karrubi, saíram às ruas para protestar contra o que a oposição considerou uma fraude maciça.

Na violenta repressão das mobilizações pelo menos 30 pessoas morreram, enquanto cerca de 4 mil foram detidas.

Desde então, a oposição aproveitou qualquer data comemorativa ou evento para retomar seus protestos.

De acordo com o site "Nasimfarda", grupos opositores também se manifestaram na cidade de Shiraz, localizada a cerca de mil quilômetros ao sul da capital.

Nas cidades de Isfahan e Nayafabad, a festividade de Ashura coincidiu com a celebração do sétimo dia da morte do grande aiatolá Ali Hussein Montazeri, considerado o guia espiritual da oposição iraniana. EFE jm-msh/pd

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