Bruxelas, 24 jun (EFE) - O Conselho Nacional da Resistência do Irã, maior grupo de oposição ao regime xiita de Teerã, pediu hoje aos Governos da União Européia (UE) para retirar imediatamente da lista européia de organizações terroristas os Mujahedin Khalq, após uma decisão no mesmo sentido adotada pelo Parlamento britânico.

As duas Câmaras do Parlamento britânico aceitaram na segunda-feira retirar os Mujahedin Khalq (que significa Organização dos Combatentes do Povo Iraniano) da lista britânica de grupos terroristas, em aplicação de uma sentença do Tribunal de Apelação que não considerou justificada sua inclusão.

Representantes da resistência iraniana, acompanhados de vários eurodeputados, pediram hoje publicamente em Bruxelas que o Conselho de ministros da UE retire da lista européia a organização opositora, por afirmar que não há base legal para isso.

O Reino Unido havia promovido a inclusão do grupo na relação de terroristas do bloco europeu.

"Seria um escândalo" se a UE não revisasse a lista imediatamente, disse em entrevista coletiva um dos vice-presidentes do Parlamento Europeu, Alejo Vidal-Quadras.

Já o vice-presidente do grupo do Partido Popular Europeu (PPE) no Parlamento Europeu, o escocês Struan Stevenson, exigiu que UE acabe com o que qualificou de "mortal política de apaziguamento" com o regime iraniano.

"Sem mais desculpas", afirmou o deputado, que lembrou que o Tribunal de Primeira Instância da UE já decidiu, no final de 2006, que a organização tinha sido incluída indevidamente na lista do bloco, sentença que não foi executada ainda com o argumento de que o recurso seguia pendente no Reino Unido.

O eurodeputado estoniano Tunne Kelam (PPE) denunciou que "as táticas dilatórias transformam a UE em cúmplice do que acontece no Irã" e aconselhou "transformar os Mujahedin Khalq em aliado para introduzir a democracia no país, sem necessidade de recorrer à força".

Já o eurodeputado socialista português Paulo Casaca pediu também aos Estados Unidos e à União Européia para deixar de "dar cobertura" aos "agentes iranianos", que, em sua opinião, estão infiltrados no Governo do Iraque e promovem atentados contra os Mujahedin iranianos.

O presidente do Comitê de Relações Exteriores do Conselho Nacional da Resistência do Irã, Mohammad Mohaddessin, lembrou que "muita gente foi executada nos últimos anos no Irã por causa desse rótulo", que segue catalogando sua organização, nos EUA e na UE, como grupo terrorista. EFE jms/db

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