Oposição iraniana não cede e volta às ruas de Teerã

Javier Martín. Teerã, 17 jun (EFE).- Decididos a não deixar os protestos apesar da pressão das autoridades, milhares de iranianos voltaram hoje às ruas, pelo quarto dia consecutivo, para pedir novas eleições presidenciais.

EFE |

Testemunhas contaram à Agência Efe que o ímpeto que caracterizou as mobilizações desde o início, nesta quarta ficou denegrido devido à tristeza pela morte, há dois dias, de ao menos sete pessoas após uma manifestação que reuniu cerca de um milhão de pessoas.

Mesmo assim, se repetiram as cenas dos braços alçados, "V" de vitória na mão e fitas verdes no punho como as que hoje exibiram alguns jogadores de futebol, entre eles dois que defendem o Osasuna, da Espanha, e a seleção do Irã.

Os manifestantes, sempre segundo o relato das testemunhas já que a imprensa internacional também não pôde hoje estar presente, marcharam em silêncio para o norte da cidade, através de uma grande avenida, levando retratos do líder da oposição, Mir Hussein Moussavi.

Alguns outros erguiam cartazes em que, segundo as mesmas testemunhas, se podia ler: "Onde está meu voto?".

A manifestação foi de novo considerada ilegal hoje pelo Ministério do Interior, que apesar dos esforços parece não poder evitar a determinação dos opositores, que prometeram seguir adiante com os protestos.

Líder da chamada "maré verde", Moussavi convocou para amanhã um dia de manifestação e luto pelas vítimas da repressão policial durante os últimos dias.

Em comunicado posto em seu site, ele pediu a todos os iranianos que se aproximem das mesquitas e marchem de forma pacífica pelas ruas para honrar "os mártires e os feridos nos eventos recentes".

Moussavi se autoproclamou vencedor nas eleições presidenciais de sexta-feira passada pouco depois do fechamento dos colégios, e denunciou uma fraude maciça a favor de seu rival, o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad, a quem o Ministério do Interior concedeu um surpreendente triunfo por maioria absoluta.

Desde então, o Irã foi cenário de protestos e distúrbios entre a oposição e as forças de segurança - apoiadas por milicianos islâmicos - que deixaram pelo menos sete mortos.

Além disso, se desconhece exatamente o ocorrido durante o fim de semana nas instalações da universidade assaltada pela Polícia e por grupos de milicianos islâmicos, que segundo os estudantes teria matado pelo menos cinco pessoas.

Aos protestos se juntou hoje com contundência o candidato conservador Mohsen Rezaei, que deu ultimato ao Ministério do Interior para que apresente antes da meia-noite de hoje os resultados detalhados das eleições.

Em carta citada pelo canal "PressTV", Mohsen Rezaei se queixa que o atraso do Ministério impede aos candidatos apresentar uma queixa formal ao Conselho de Guardiães sobre o número de urnas que devem ser revistas.

Além disso, adverte que o atraso "gera dúvidas sobre a possibilidade de que tenha havido manipulação" e que caso seu requerimento não seja atendido, reivindicará a apuração de todas as urnas.

O Conselho de Guardiães, órgão que deve validar os resultados, admitiu que está disposto a realizar uma apuração parcial das urnas mais polêmicas, embora ainda não se saiba em quantas isso seria feito e por quanto tempo o processo seria atrasado.

O líder supremo da revolução iraniana, aiatolá Ali Khamenei, que no sábado apoiou o triunfo de Ahmadinejad, respaldou também a apuração, e pediu que no mesmo estejam presentes representantes de todos os candidatos.

Hoje, Ahmadinejad voltou a insistir que as eleições foram limpas e ressaltou que 25 milhões de votos confirmaram o apoio a seu Governo.

Em declarações ao término do primeiro conselho de Ministros realizado depois da polêmica reeleição, o líder afirmou também que a alta participação foi um apoio do povo do Irã ao sistema teocrático.

"As eleições foram mais um marco para a República Islâmica. Um plebiscito em que 40 milhões de iranianos ratificaram os fundamentos da República Islâmica. Foram esses fundamentos que foram apoiados com os votos", completou.

Segundo o Ministério do Interior, Ahmadinejad teria vencido o pleito de sexta-feira passada com 62% dos votos, resultado que foi denunciado como fraudulento pela oposição. EFE jm/rr

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