Oposição intensifica protestos pela Tailândia

"Camisas vermelhas" estendem as manifestações para interior do país e desafiam Exército tailandês

EFE |

Os "camisas vermelhas", manifestantes de oposição que ocupam o centro comercial de Bangcoc, estenderam nesta segunda-feira sua mobilização a outras áreas da Tailândia, em mais uma tentativa de aumentar a pressão sobre o governo.

Grupos de manifestantes ampliaram os protestos nas províncias do nordeste do país e bloquearam as tropas do Exército que receberam a ordem de reforçar a segurança na capital.

Reuters
Militares da Tailândia patrulham ruas de Bangcoc, tomadas por manifestantes, na manhã deste domingo
O secretário-geral da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, grupo da oposição, Natthawut Saikua, disse que sua plataforma política deu instruções aos seguidores para que impeçam que os soldados extras enviados se unam às tropas que já estão na capital desde meados de maio, quando começaram os protestos.

"A rede nacional da Frente quer evitar a chegada de tropas para participar do assalto que o governo planeja realizar contra nós", disse Saikua aos jornalistas.

No norte da Tailândia, centenas de seguidores da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura impediram que cerca de 150 soldados da brigada especial da polícia e outros vários deixassem o quartel na província de Phitsanulok com destino a Bangcoc.

Ações similares foram feitas nas províncias de Ayuthaya, próxima a Bangcoc e onde os camisas vermelhas retiveram na estrada um comboio de 14 veículos com policiais, assim como na de Chachoengsao, onde sitiaram a delegacia provincial.

"É melhor que o governo se prepare se o que pretende é dissolver os manifestantes", advertiu o deputado Surachet Chaikosol , do partido opositor Puea Thai.

Mobilização

Cerca de oito mil camisas vermelhas estão mobilizados atrás de pilhas de pneus e barreiras de bambu, à espera de que as forças de segurança avancem contra seu acampamento, instalado em pleno centro de Bangcoc.

Reuters
Manifestantes tailandeses fazem barricada no centro de Bangcoc

O primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva anunciou no fim de semana passado, em discurso televisionado, que as autoridades se preparavam para retirar os camisas vermelhas da zona ocupada.

Na capital, 11 pessoas ficaram feridas nesta segunda-feira depois da explosão de uma granada em frente à casa do ex-primeiro-ministro Banharn Silapa-Archa, num novo ataque relacionado com a crise política. O comandante da polícia Samart Salungyoo disse que a granada foi lançada por um homem que, segundo testemunhas, fugiu depois em uma moto. Oito dos feridos foram civis e os outros três policiais que faziam a segurança do local.

Silpa-Archa, primeiro-ministro entre julho de 1995 e novembro de 1996, é agora o assessor principal do partido Chart Pattana, um dos que integram a Coalizão de Governo liderada por Vejjajiva, líder do Partido Democrata.

Foi o segundo ataque à casa de Silapa-Archa. No anterior, ocorrido em 28 de março, uma mulher ficou gravemente ferida ao ser atingida por estilhaços de uma granada.

Em várias ocasiões, Silapa-Archa, inabilitado pela Justiça de ocupar postos de responsabilidade na política e na Administração, instou o primeiro-ministro a dissolver o Parlamento, embora tenha insistido que seu partido permanecerá na coalizão.

O ataque seguiu ao de quinta-feira passada contra uma estação do metrô de Bangcoc, onde a explosão de cinco granadas deixou um morto e mais de 80 feridos.

Crise política

A Tailândia está imersa em uma profunda crise política fruto da luta entre os detratores e seguidores de Shinawatra, deposto no levante de 2006 após governar por quase seis anos.

Exilado e foragido da Justiça tailandesa, o milionário Shinawatra, condenado na Tailândia a dois anos de prisão por corrupção e abuso de poder, dirige e financia os protestos.

Os camisas vermelhas são em sua maioria das zonas rurais do norte e do noroeste do país, as de maior densidade demográfica e reduto dos que apoiam Shinawatra.

    Leia tudo sobre: Tailândia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG