Oposição georgiana renuncia a cadeiras no Parlamento e convoca manifestação

Tbilisi, 23 mai (EFE).- O líder da Oposição Unificada da Geórgia (OU), Levan Gachechiladze, anunciou hoje a renúncia às cadeiras que esse bloco opositor obteve nas eleições parlamentares realizadas nesta quarta-feira.

EFE |

"Queremos dar exemplo de luta contra um regime antipopular, mas a Oposição Unificada se nega a entrar no Parlamento. Nós ficamos com o povo", assinalou Gachechiladze em entrevista coletiva.

A OU, que denunciou a fraude eleitoral, nega-se a reconhecer o resultado do pleito vencido pelo governista Movimento Nacional Unido (MNU), do presidente Mikhail Saakashvili, que obteve 120 deputados de um total de 150 do Parlamento unicameral.

Este bloco opositor conseguiu 16 deputados - 14 por listas de partidos e 2 por sistema majoritário -, um resultado pior que o esperado por seus líderes.

"O Parlamento georgiano é produto do terror e das arbitrariedades de algumas autoridades criminosas", acrescentou.

Além disso, o líder opositor anunciou a convocação de uma manifestação de protesto para segunda-feira em Tbilisi, coincidindo com a celebração do aniversário da independência desta república caucasiana.

O líder do Partido Trabalhista, Shalva Natelashvili, também propôs hoje a todas as legendas opositoras que rejeitem qualquer mandato de deputado obtido com a intenção de obrigar às autoridades a "repetir as eleições".

"Devemos nos livrar deste regime canibal, por isso as ações da oposição devem ser pactuadas. Só assim poderemos responder à arbitrariedade e à violência do regime de (Mikhail) Saakashvili", disse.

Os trabalhistas obtiveram seis cadeiras, o mesmo número que o Movimento Cristão Democrata, embora este ainda não tenha se somado ao boicote.

O também opositor Partido Republicano conseguiu chegar ao Parlamento depois de obter dois mandatos de deputado pelo sistema majoritário.

Em sua avaliação das eleições, a missão de observadores do Conselho da Europa (CE) disse hoje que elas não se "enquadraram plenamente" aos padrões internacionais devido a uma "série de problemas".

Os observadores do CE criticaram tanto a apuração quanto o fato de que as autoridades mudaram de maneira unilateral a lei eleitoral às vésperas da votação.

A missão da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (Osce) declarou na véspera que, embora nas eleições tenha havido "irregularidades", estas não influíram no processo eleitoral.

Um total de 550 observadores da Osce e das assembléias parlamentares do Conselho da Europa e da Otan, de 45 países, supervisionaram o pleito legislativo georgiano.

Saakashvili, acusado pela oposição de autoritarismo, prometeu que apesar de seu partido dispor da maioria constitucional não inserirá reformas sem contar com a oposição.

"O novo Parlamento georgiano será muito mais pluralista, pluripartidário. Como se pode ver, além do partido dirigente, surgirão várias outras legendas, e estou disposto a colaborar com todas elas", afirmou.

No total, neste país do Cáucaso foram convocados às urnas quase 3,5 milhões de habitantes, e a participação foi de 55%, embora no pleito não tenham participado as regiões separatistas pró-russas da Abkházia e Ossétia do Sul. EFE io/fh/ma

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