Oposição ganha postos-chave na Venezuela

Esther Borrell Caracas, 24 nov (EFE).- O partido do presidente Hugo Chávez conquistou a maioria dos Governos estaduais nas eleições regionais deste domingo na Venezuela, mas a oposição chegou ao poder nos dois principais estados do país e na Prefeitura da capital, Caracas.

EFE |

"Hoje, a vitória é da Venezuela. O caminho democrático escolhido pelo povo é ratificado", afirmou Chávez em um discurso no centro onde seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) montou esta noite seu quartel-general.

O presidente disse que as eleições "demonstraram que aqui há um sistema democrático e que a decisão do povo é respeitada", enquanto classificou de "grande vitória" os resultados obtidos por seus candidatos.

Chávez parabenizou os candidatos opositores vitoriosos e também disse que os resultados do pleito o estimulam a seguir com o projeto de estabelecer o socialismo na Venezuela.

Segundo o primeiro boletim de resultados divulgado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a oposição mantém os dois Estados conquistados nas eleições regionais de quatro anos atrás, o rico estado petroleiro de Zulia e o de Nova Esparta, no leste, e toma do Governo o poder em Miranda, que engloba bairros da capital, Caracas.

A oposição também venceu no estado de Táchira, até então sob domínio da situação, e em Carabobo, governado por um dissidente do chavismo, informaram juntas eleitorais locais horas depois do primeiro boletim do CNE.

Os estados de Zulia e Miranda são tidos como os mais importantes do país por seu peso econômico, sua população que soma mais de 6,6 milhões de habitantes dos 28 milhões do país, e suas posições geográficas estratégicas.

A oposição conquistou hoje também a Prefeitura de Caracas, que estava em mãos governistas, nas eleições deste domingo que totalizaram uma participação de 65,45%, a mais alta registrada em pleitos regionais e locais na Venezuela, onde o voto não é obrigatório, destacou a presidente do CNE, Tibisay Lucena.

Em seu discurso na sede do CNE, Lucena leu os resultados em 20 dos 22 estados cujas chefias de Governo estavam em disputa nas eleições deste domingo, para as quais tinham sido convocados cerca de 17 milhões de venezuelanos.

O PSUV, fundado por Chávez para aglutinar os movimentos que o apoiaram em sua reeleição em 2006, recuperou os estados Trujillo, Aragua, Guárico e Sucre das mãos de dissidentes, e manteve Barinas, terra natal do presidente, e onde concorria seu irmão, Adán.

Em pronunciamento pouco após a divulgação dos resultados, o PSUV comemorou a recuperação do controle em três estados que estavam nas mãos dos opositores, e seu vice-presidente, Alberto Müller, disse que o partido confirmou sua condição de "maior força política do país".

Já o dirigente opositor Henrique Capriles Radonski, que derrotou em Miranda o governador governista, Diosdado Cabello, com 52,56%, afirmou que seu partido não pretende "brigar" com o Governo Nacional, e anunciou o começo de "uma nova etapa de esperança" a partir de amanhã.

"Somos um país cansado de brigas, de divisão. As novas autoridades opositoras estão dispostas a trabalhar coordenadamente com nosso povo, com um só interesse, de que as pessoas possam viver melhor", acrescentou Capriles, de 36 anos.

Além disso, o governador eleito de Zulia, Pablo Pérez, confirmou que "respeitará o Governo Nacional", mas "certamente, exigirá respeito (por parte do presidente Chávez) para o estado Zulia".

"Vamos trabalhar com o Governo Nacional, o que nos importa é o estado de Zulia", acrescentou.

Em declarações em Zulia, o líder opositor Manuel Rosales se autoproclamou vencedor na Prefeitura de Maracaibo, à qual concorria, e parabenizou a vitória da oposição em várias regiões e municípios do país, até então quase todos nas mãos do oficialismo.

"O mapa da Venezuela começou a mudar, agora é diversificado", disse Rosales, antes de acrescentar que a oposição espera que "seja anunciada em breve" sua suposta vitória nos estados de Táchira e Carabobo, confirmada horas mais tarde.

Já o prefeito eleito do município Metropolitano de Caracas, o opositor Antonio Ledezma, afirmou que governará com "amplitude", e convidou o presidente Chávez "a trabalhar junto, para retirar a capital do país do caos e da anarquia".

"É tempo de união. Prometo mais uma vez que não os trairei", afirmou Ledezma, que dedicou sua vitória "aos mais humildes" e confirmou seu "compromisso com as crianças de Caracas".

Ledezma, que governou Caracas no anos 80 pelo partido social-democrata Ação Democrática (AD), ressaltou que no processo eleitoral de hoje só "devem se sentir derrotados os aproveitadores", os corruptos e os funcionários públicos incompetentes. EFE eb/ev/jp

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