Oposição francesa apresentará moção de censura contra o Governo de Fillon

Paris, 1 abr (EFE).- A oposição socialista da França anunciou hoje a apresentação de uma moção de censura contra o Governo do primeiro-ministro François Fillon, devido à recusa a comparecer ao debate parlamentar para que se estabeleça uma votação sobre o reforço do contingente militar francês no Afeganistão.

EFE |

Fontes parlamentares socialistas afirmaram que embora a questão do envio de tropas extras ao Afeganistão seja o ponto de partida, a moção cobrirá "o conjunto dos problemas do país, econômicos e sociais".

A formalização da moção de censura, de iniciativa de Jean-Marc Ayrault, presidente do grupo socialista na Assembléia Nacional (Câmara dos Deputados), deverá se concretizar nos próximos dias, afirmaram as fontes.

Uma vez apresentada a moção, devem-se passar pelo menos 48 horas até seu exame no plenário. A data mais provável é o próximo dia 8 de abril.

A última moção de censura na França foi apresentada também pelos socialistas, em maio de 2006, contra o então primeiro-ministro conservador Dominique de Villepin. A iniciativa não foi adiante, já que o Executivo possuía, da mesma forma que agora, a maioria parlamentar.

Os membros do Executivo se negaram a submeter à votação o envio de mais soldados ao Afeganistão, com o argumento de que a Constituição não prevê tal processo e de que em casos de outras missões militares no exterior similares também não aconteceu uma votação parlamentar.

Segundo enquetes, dois terços das pessoas entrevistadas se declararam contrárias ao envio de reforços ao Afeganistão. Os socialistas se pronunciaram contra a proposta, e manifestaram seu temor de que ocorra "um novo Vietnã".

O primeiro-ministro francês respondeu hoje a esses temores ao especificar que o aumento do contingente francês no Afeganistão será feito com base em três condições.

As condições citadas foram: um compromisso "simultâneo" de outros países aliados de aumentar suas forças no Afeganistão; a fixação de um calendário para que o Exército afegão assuma progressivamente o controle do país, e o aumento da ajuda internacional ao desenvolvimento.

Fora as discussões relativas ao Afeganistão, a oposição de esquerda pretende insistir na questão da deterioração da situação econômica, e em particular do estado das finanças públicas que, segundo a própria esquerda, marca o início de um plano rigoroso que o Executivo negou insistentemente estar preparando. EFE ac/rr/gs

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