Por David Mercado SANTA CRUZ (Reuters) - A oposição conservadora da Bolívia realiza na terça-feira uma greve geral em cinco Departamentos do país, numa nova tentativa de impedir as reformas promovidas pelo presidente Evo Morales.

Os dirigentes oposicionistas garantem, porém, que não haverá prejuízos à exportação de gás para o Brasil e a Argentina, principal fonte de divisas da Bolívia.

O ministro da Presidência (Casa Civil), Juan Ramón Quintana, qualificou a greve como 'fato essencialmente político e violento' e chamou a atenção para o fato de a manifestação coincidir com o aniversário do 'golpe militar mais cruento do século 20', o de 1971, que levou o general Hugo Banzer ao poder.

O objetivo formal da greve é reivindicar a devolução às regiões de parte de um imposto sobre o petróleo que Morales destinou ao pagamento de uma renda mínima para idosos.

Mas o ruralista e governador de Santa Cruz, Rubén Costas, não esconde os objetivos políticos do movimento. No fim de semana, ele disse que era preciso frear as inclinações comunistas da nova Constituição promovida pelo governo.

Os líderes oposicionistas das cinco regiões envolvidas querem evitar que Morales aproveite o seu recente triunfo eleitoral, num referendo que confirmou seu mandato, para aprovar a Constituição que visa a dar mais poder aos indígenas e a consolidar um modelo econômico socialista.

Morales teve 67,4 por cento dos votos a favor de sua permanência neste mês. Os governadores das ricas regiões de Santa Cruz e Tarija e dos Departamentos amazônicos de Beni e Pando também tiveram seus mandatos confirmados.

Além desses quatro Departamentos, também participa do protesto Chuquisaca (centro-sul), cuja governadora, eleita em junho, não foi submetida a referendo. Ela se alinha com as reivindicações autonomistas regionais.

O militante oposicionista Roberto Gutiérrez, de Santa Cruz, disse a jornalistas que a greve geral é 'um mecanismo pacífico de protesto', e que não há fundamento nos rumores de que a oposição tentaria ocupar órgãos públicos na região.

Ele acusou o governo de iniciar uma ocupação militar em Santa Cruz, onde a presença policial foi drasticamente reduzida desde um confronto na sexta-feira com militantes autonomistas.

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