Oposição egípcia condiciona negociações à queda de Mubarak

Segundo Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, a sexta-feira foi batizada de Dia da saída; centenas de milhares protestam no país

iG São Paulo |

Um comitê das forças de oposição egípcias, que inclui Mohamed ElBaradei, rejeitou o início de qualquer negociação com o regime enquanto o presidente Hosni Mubarak continuar no poder.

AP
Uma efígie do presidente egípcio, Hosni Mubarak, é vista sobre os manifestantes na Praça Tahrir (ou Libertação) no Cairo
A declaração foi feita em um comunicado divulgado nesta terça-feira, no oitavo dia de protestos, em reação à proposta feita na segunda-feira pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, de diálogo com todos os partidos políticos para discutir as reformas legislativa e constitucional - exigências básicas feitas por manifestantes anti-Mubarak. As emendas constitucionais incluem reduzir restrições a candidaturas para a próxima eleição presidencial.

A proposta de diálogo foi feita depois de o Exército egípcio descartar recorrer à força para reprimir as manifestações. Segundo informações obtidas pela ONU, a repressão aos protestos, iniciados na terça-feira do dia 25, podem ter deixado 300 mortos , mais do que o dobro do balanço anunciado oficialmente até agora, de 125.

Nesta terça-feira, centenas de milhares de manifestantes estão concentradas no centro do Cairo para participar da "marcha do um milhão" para exigir a renúncia de Mubarak, no poder desde 1981.

Os manifestantes, muitos carregando bandeiras egípcias, reuniram-se na Praça Tahrir ("Plaça da Libertação"), epicentro dos protestos.

Segundo o Prêmio Nobel da Paz e ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, o opositor egípcio Mohamed ElBaradei, Mubarak deve deixar o poder até sexta-feira.

"(Os egípcios) querem que ele saia hoje mesmo ou, no mais tardar, na sexta-feira, que foi batizada de 'o dia da saída'", disse ao canal de TV Al-Arabiya.

Em entrevista ao jornal britânico The Independent, ElBaradei, que voltou ao país na quinta-feira para se unir aos protestos, disse que se Mubarak "quer se salvar, seria melhor ir embora".

"É um ato criminoso quando um regime retira totalmente a polícia das ruas do Cairo, quando bandidos fazem parte da polícia secreta tentando dar a impressão de que, sem Mubarak, o país vai afundar no caos Alguém tem que prestar contas", declarou.

"Agora, como é possível ouvir nas ruas, os manifestantes não estão dizendo que Mubarak apenas deve ir embora, mas que deveria ser julgado", afirmou ao especialista em Oriente Médio Robert Fisk.

ElBaradei também disse confiar no Exército. "Creio que, no fim, o Exército estará com o povo. Isso é senso comum quando há 2 milhões nas ruas representando a 85 milhões."

Apesar de ter recebido a missão de "negociar" com o regime por uma díspare Coalizão Nacional pela Mudança, que reúne vários partidos de oposição, entre elas a proscrita Irmandade Muçulmana, Mubarak afirmou que não quer ser presidente.

*Com AFP e EFE

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