Oposição e Governo medem força nas ruas de Teerã

Javier Martín. Teerã, 16 jun (EFE).- Teerã se dividiu hoje em duas, com milhares de partidários do presidente Mahmoud Ahmadinejad e do líder da oposição, Mir Hussein Moussavi, à frente de manifestações que voltaram a gerar cenas de violência na capital iraniana.

EFE |

Convocados sob o lema "concentração da unidade", os seguidores de Ahmadinejad se reuniram em uma praça do centro da cidade, onde o Governo tentou fazer hoje uma demonstração de força e apoio popular.

No entanto, praticamente não foi possível constatar a intensidade da manifestação, já que as autoridades iranianas vetaram a presença de correspondentes estrangeiros nas ruas do país.

Em uma circular enviada por fax, o Ministério da Cultura e Orientação Islâmica advertiu à imprensa estrangeira que as permissões concedidas já não valiam mais e que não seria permitida a cobertura dos atos que não fossem autorizados.

Com a imprensa amordaçada, a única via de informação foi hoje a televisão estatal iraniana e as centenas de cidadãos que, tomados pelo fervor por protesto que atinge o país, gravam os protestos com suas câmeras e telefones celulares e tentam divulgar na internet.

A TV estatal, controlada pelo líder supremo da Revolução, aiatolá Ali Khamenei, assegurou que na manifestação participaram milhares de pessoas "de todas as camadas da sociedade".

Poucos quilômetros mais ao norte, milhares de seguidores do líder da oposição voltaram a desafiar as advertências do Ministério do Interior e foram pelo quarto dia consecutivo às ruas para exigir que sejam anulados os resultados e reivindicar novas eleições.

A manifestação, que tinha sido ilegalizada, concentrou de novo milhares de iranianos que, com o braço alçado e fazendo o sinal da vitória com os dedos, desfilaram em silêncio ao longo das ruas em direção ao norte da cidade.

Moussavi tinha pedido hoje a seus seguidores que não fossem ao protesto convocado no centro da cidade perante o temor de que se repetissem os distúrbios, que na segunda-feira custaram a vida de sete pessoas na simbólica praça Azadi.

Porém, apesar das restrições impostas pelo regime, que bloqueou vários sites, interceptou mensagens de texto entre celulares e enturvou o sinal de telefones em alguns pontos da cidade, a internet e o boca a boca mantiveram vivos os protestos da oposição..

O Irã é cenário desde o fim de semana passado de mobilizações e violentos enfrentamentos, originados pela vitória de Ahmadinejad nas eleições de sexta-feira.

Os choques voltaram a acontecer hoje em alguns pontos da cidade, segundo informações recolhidas pelas testemunhas, mas que a imprensa não pôde constatar.

Enquanto a cidade se dividia por mais um dia, o Conselho de Guardiães anunciava hoje sua disposição em fazer uma apuração parcial das urnas, medida que a oposição não considera suficiente.

O citado órgão de poder, que deve validar os resultados, não detalhou, no entanto, quantas urnas vão ser de novo apuradas, que porcentagem de voto representam e por quanto tem este processo será prolongado.

A apuração foi apoiada pelo próprio líder supremo da Revolução, que recomendou também a presença de um representante de cada candidato para evitar qualquer tipo de suspeitas.

Enquanto no Irã a tensão continua, a comunidade internacional começa a mostrar sua postura sobre um processo eleitoral que bagunçou um país-chave no Oriente Médio e na Ásia Central, e que evidenciou suas dissidências internas.

O Ministério de Assuntos Exteriores do Irã convocou hoje os embaixadores de República Tcheca, Reino Unido, França, Holanda, Itália e Alemanha para protestar sobre as manifestações que a União Europeia e os Governos dos países-membros fizeram sobre as polêmicas eleições presidenciais iranianas.

Segundo a TV estatal, um funcionário iraniano advertiu o representante diplomático tcheco, Josef Havlas, que "nem a União Europeia nem qualquer país tem direito de interferir nos assuntos internos do Irã".

"Também não tem direito de criticar este país, muito menos em relação às gloriosas eleições", disse o funcionário a Havlas, cujo país ocupa até o próximo dia 30 a Presidência da União Europeia.

Mensagens similares foram recebidas por outros diplomatas, embora a mais dura tenha sido para o representante da França, cujo presidente, Nicolas Sarkozy, foi um dos primeiros líderes do mundo a falar abertamente sobre "uma fraude maciça". EFE jm/rr

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