Oposição e governo do Zimbábue se enfrentam sobre resultados da eleição

A oposição e o governo do Zimbábue estão envolvidos em uma batalha sobre os resultados das eleições de 29 de março, cuja publicação rápida foi pedida pelos países da região em uma reunião de cúpula extraordinária que terminou na manhã deste domingo em Lusaka, na Zâmbia.

AFP |

O impasse é grande no Zimbábue, 15 dias após as eleições gerais: o país não conhece o nome do futuro presidente nem o resultado das eleições legislativas, oficialmente ganhas pela oposição.

A Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC) anunciou neste domingo que fará uma recontagem dos votos em 23 dos 210 distritos, devido a suspeita de erros no cálculo.

A nova apuração valerá para as eleições presidenciais, legislativas e do Senado, anunciou a ZEC.

Inicialmente proclamado vencedor das legislativas, o partido de oposição MDC (Movimento para Mudança Democrática) imediatamente anunciou que contestará na justiça a recontagem parcial.

"Acreditamos que ela vai servir para passar por cima da vontade do povo", explicou o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa, informando ainda que o tribunal de Harare examinaria o recurso na terça-feira.

A recontagem poderá retirar a maioria na Câmara dos Deputados do MDC, em favor do partido no poder, o Zanu-FP. De acordo com os resultados iniciais, o Zanu-FP perdeu a maioria que detinha há 28 anos na Casa, com 97 cadeiras contra 109 da oposição e um independente.

O procedimento do MDC contra a recontagem será anexado a uma ação já em curso, para obter a divulgação dos resultados das eleições presidenciais, sobre a qual a justiça deve se pronunciar na tarde de segunda-feira.

A multiplicação dos procedimentos administrativos e judiciais para as eleições vai contra o pedido feito na manhã deste domingo pelos líderes regionais, que solicitaram uma verificação e publicação o mais rápido possível.

Reunidos em uma cúpula extraordinária no sábado em Lusaka, representantes da Comunidade para o Desenvolvimento da África austral (SADC, 14 países) debateram por mais de 13 horas, refletindo as dificuldades para adotar uma posição comum sobre o vizinho.

Chamisa considerou que o encontro foi "um bom ponto de partida", afirmando ainda que gostaria que "ações concretas" saíssem da resolução adotada pela cúpula.

A atividade diplomática pareceu, contudo, não ter convencido as pessoas nas ruas de Harare, que pareciam estar dominadas pela desilusão.

"Isso não nos afeta em nada", resumiu um jovem barbeiro, Admire Muroyiwa, enquanto Tsitsi Mpofu, dona de casa, julgava que o SADC não ajudou em nada e que os zimbabuanos "perderam tempo" com a votação.

Inúmeros observadores temem que a situação piore no país, onde os sinais de tensão se multiplicaram desde as eleições.

Mas neste domingo, o Exército zimbabuano assegurou que não atuará contra a população, afirmando que o clima continua "calmo" no país.

bur-cf/fb/fp

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