Oposição do Zimbábue teme que Governo esteja preparando uma onda de violência

A oposição do Zimbábue teme que o Governo esteja preparando uma onda de violência para resistir à sua derrota nas urnas e denunciou que para isto está recrutando antigos milicianos da luta pela independência.

EFE |

"A violência vai ser a nova arma para conter a vontade do povo", declarou aos jornalistas o líder do Movimento para Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai.

O líder acusou o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, no poder desde 1980, de recorrer a milícias armadas para aterrorizar os simpatizantes da oposição.

"As milícias estão sendo recrutadas e reabilitadas", afirmou hoje Tsvangirai em sua primeira entrevista coletiva desde que o MDC o apontou como vencedor das eleições.

O dirigente opositor fez sua denúncia um dia depois que centenas de veteranos da guerra da independência do Zimbábue desfilassem pelas ruas da capital Harare para apoiar Mugabe.

Os ex-milicianos acusaram também a oposição de ter, supostamente, apoio de antigos proprietários agrários brancos que foram desapropriados pelo Governo no início desta década.

A oposição diz que saiu da vitoriosa das eleições presidenciais do último sábado com 50,3% dos votos. Porém, as autoridades eleitorais ainda não divulgaram o resultado oficial do pleito.

Estes mesmos dados, retirados das atas eleitorais publicadas, dão a Mugabe 43,8% dos votos.

Nas eleições parlamentares que aconteceram junto com as presidenciais e cuja apuração já está encerrada, as duas facções do MDC conseguiram mais cadeiras que o partido governista.

No Senado, de acordo com as informações que devem ser conhecidas hoje, o Governo e a oposição dividiram em partes iguais as 60 cadeiras disputadas.

Tsvangirai, que concorreu pela segunda vez à Presidência, disse que, com a vitória que obteve nas urnas - não confirmada oficialmente -, não será necessário segundo turno, já que recebeu mais da metade dos votos.

"Ganhamos a eleição sem necessidade de segundo turno", disse Tsvangirai aos jornalistas trajando terno e gravata, algo pouco comum para o líder político.

Em suas declarações, Tsvangirai também disse que o Banco Central está imprimindo dinheiro para usá-lo com o intuito de manipular as eleições e "financiar atividades violentas".

A legenda no poder, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), concordou, na sexta-feira, em concorrer ao eventual segundo turno das eleições apesar de o resultado oficial do primeiro ainda ser desconhecido.

A oposição tentou hoje apresentar ao Tribunal Superior uma solicitação para que se obrigue judicialmente a Comissão Eleitoral a divulgar os dados da apuração do pleito presidencial.

No entanto, a apresentação do recurso foi adiada até amanhã para permitir que a Comissão Eleitoral possa preparar os argumentos que defenderá no Tribunal Superior de Harare, segundo o advogado que representa o MDC, Andrew Makoni.

Inicialmente, a oposição anunciou que o pedido foi apresentado ontem, mas os advogados não completaram os trâmites necessários na véspera e o comparecimento diante da justiça ficou adiado para hoje.

No entanto, na hora prevista para que se apresentasse o pedido, forças policiais impediram o acesso dos advogados e dos representantes da oposição e ameaçaram recorrer a unidades especiais para dispersá-los, apesar de ter liberado a entrada deles em seguida.

A Polícia mantém presos dois jornalistas estrangeiros que foram detidos na última quinta em um pequeno hotel da capital após serem acusados de trabalhar sem credenciamento no país.

Os detidos são Barry Bearak, correspondente do jornal "The New York Times", e Steven Bevan, que trabalhava como freelancer.

A advogada dos dois, Beatrice Mtetwa, disse à Agência Efe que a defesa apresentou uma solicitação urgente ao Tribunal Superior para que os jornalistas sejam postos em liberdade.

A Procuradoria já indicou que não processará os dois jornalistas, por isto a advogada não entende porque ainda continuam detidos na delegacia central de Polícia do Zimbábue.

"É triste que a Polícia esteja atuando contra os jornalistas estrangeiros. Parece que se trata de uma tentativa de evitar que o mundo conheça a verdade sobre as eleições e o atraso em anunciar os resultados do pleito presidencial", afirmou Mtetwa.

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