Oposição do Zimbábue recorre à Justiça para conhecer resultado de eleições

Zimbábue - A oposição do Zimbábue defendeu neste domingo nos tribunais um pedido para que a Comissão Eleitoral divulgue urgentemente os resultados do último pleito presidencial e a Justiça anunciou para amanhã sua decisão.

EFE |

O juiz do Tribunal Superior Tendai Uchena afirmou que a decisão judicial será conhecida amanhã às 10h (5h de Brasília), como foi informado no final da audiência deste domingo.

A oposição argumenta que o atraso na divulgação dos resultados das eleições de 29 de março está causando muita ansiedade entre os membros do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), partido ao qual se atribui a vitória nas urnas.

A defesa do pedido opositor ficou a cargo do advogado Alec Muchadehama. Na outra parte estava a Comissão Eleitoral, liderada por Lovemore Sekeramayi.

O advogado da Comissão, George Chikumbirike, disse que está nas mãos desta entidade independente divulgar os resultados da apuração quando desejar, o que vem se arrastando por mais de uma semana.

Apesar de a Comissão Eleitoral já ter divulgado as informações da apuração das eleições parlamentares, que aconteceram ao mesmo tempo que as presidenciais, nenhum resultado da última foi dado.

A oposição anunciou na última quarta que, segundo o cômputo das informações fixadas nas atas eleitorais colocadas nos arredores dos centros de votação, recebeu votos suficientes no pleito presidencial sem necessidade de ir para um segundo turno.

O MDC afirmou que seu candidato presidencial, Morgan Tsvangirai, obteve 50,3% dos votos e atribuiu 43,8% dos mesmos ao presidente Robert Mugabe, no poder desde a independência do país, em 1980.

Na audiência de hoje, os advogados do MDC e de Tsvangirai afirmaram que este grupo político tem o direito de ter acesso à informação surgida após a apuração dos votos.

Os magistrados também rejeitaram os argumentos da Comissão Eleitoral, que sustenta que os dados devem ser computados e verificados antes de serem divulgados.

A audiência judicial deveria ter sido realizada ontem, mas foi adiada para hoje pelo fato de a Comissão Eleitoral ter pedido mais tempo para revisar seus argumentos.

No entanto, antes da audiência de hoje, afirmou-se que a governante União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) está pedindo às autoridades eleitorais que "recontem e auditem" todas as atas eleitorais do pleito presidencial.

O periódico governamental "Sunday Mail" informou hoje que os erros detectados em quatro jurisdições, nas quais estão em jogo centenas de votos, prejudicam Mugabe.

Além de pedir a apuração dos votos "por causa das revelações de erros de cálculo na compilação dos resultados", o partido governante solicitará o adiamento da divulgação dos resultados das eleições presidenciais.

Os membros da Comissão Eleitoral são nomeados por Mugabe. Fontes da oposição suspeitam que o partido governamental quer adiar o provável segundo turno do pleito para além dos 21 dias fixados legalmente desde o primeiro turno.

O regime de Mugabe foi acusado pela oposição e por observadores independentes de manipular os resultados das eleições presidenciais de 2002 e das parlamentares de 2005.

O pleito de 29 de março foi o mais apertado da história do país e, se for confirmado, será a primeira vez que o país concorre a um segundo turno das eleições presidenciais.

Por enquanto, as informações conhecidas indicam que o partido governamental perdeu a maioria na câmara baixa, enquanto o Senado foi dividido em partes iguais entre o Zanu-PF e a oposição.

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