Oposição do Zimbábue não avança em negociações com Robert Mugabe

Harare, 9 out (EFE).- O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, afirmou hoje que as negociações para um Governo de coalizão com o presidente Robert Mugabe encontram-se estagnadas e pediu nova intervenção dos mediadores.

EFE |

A mediação nas negociações entre a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), de Mugabe, e o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), de Tsvangirai, é da Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC).

"O processo só pode seguir com ajuda do intermediador" da SADC, o ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, disse Tsvangirai em Harare.

O papel de mediador de Mbeki foi interditado após seu partido, Congresso Nacional Africano, forçá-lo a renunciar à Presidência, por disputas internas, mas a SADC e a União Africana ratificaram-no como negociador da crise zimbabuana.

"Temos confiança no pacto (assinado em 15 de setembro), mas um bom acordo com um mau interlocutor é diferente", disse Tsvangirai referindo-se à intransigência de Mugabe em dividir igualmente com a oposição os cargos no Governo.

A Zanu-PF,perdeu a maioria na Assembléia Nacional pela primeira vez em março, quer ficar com todos os ministérios-chave: Finanças, Interior (que controla a Polícia) e Justiça.

O acordo manteria Mugabe presidente e tornaria Tsvangirai primeiro-ministro.

Tsvangirai falou pouco depois de o banco central do Zimbábue anunciar a inflação de 231.000.000% até julho -mais alta do mundo.

Em agosto, o banco central cortou 10 zeros da moeda local, o dólar zimbabuano, já que as operações em trilhões estavam impossíveis para os sistemas dos bancos e calculadoras.

A hiperinflação é o sinal mais da grave crise econômica e política vivida pelo Zimbábue, entre outros motivos, devido à reforma agrária iniciada em 2000, sob critério racial.

O Governo tomou as fazendas comerciais dos zimbabuanos brancos, sem compensação econômica, para entregá-las aos negros, mas as terras ficaram improdutivas porque os novos proprietários não recebem empréstimos para adquirir sementes, adubos e peças para a maquinaria agrícola. EFE sk/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG