Oposição do Zimbábue espera comissário da UA para dialogar com Governo

Johanesburgo, 17 jul (EFE).- O opositor Movimento para Mudança Democrática (MDC) do Zimbábue aguarda a chegada ainda esta semana do comissário da União Africana (UA), Jean Ping, para iniciar conversas com o Governo sobre a formação de um gabinete de união nacional, conforme disse o líder da oposição, Morgan Tsvangirai.

EFE |

Em declarações publicadas hoje no jornal sul-africano "The Star", Tsvangirai disse que decidiu não assinar na quarta-feira um memorando para abrir conversas com a governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), do presidente Robert Mugabe, por estar esperando que Ping se reúna com o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki.

"Não é que negamos a assinar, e sim que é necessário reforçar o processo" de negociação para a formação de um novo Governo, disse Tsvangirai ao diário sul-africano.

Tsvangirai e o MDC defendem um fortalecimento da intervenção da UA nas conversas, pois desconfia da mediação de Mbeki por considerá-la "parcial" a favor de Mugabe.

O MDC de Tsvangirai e a facção separada deste grupo liderada por Arthur Mutambara se reuniram na segunda-feira passada na embaixada da África do Sul em Harare com representantes do Zanu-PF, para negociar um memorando que permita estabelecer conversas para a formação de um Governo no Zimbábue com a participação da oposição.

No entanto, na quarta-feira, dia estipulado para a assinatura do acordo, o grupo de Tsvangirai, que acusou o Governo de não atuar de boa fé, decidiu esperar a chegada de Ping, que deve se reunir amanhã com Mbeki, em Johanesburgo.

Fontes oficiais do Executivo de Mugabe, citadas pelo jornal governamental "Herald", de Harare, criticaram hoje Tsvangirai por ter se recusado a assinar o memorando e ressaltaram que o líder opositor disse ter "recebido instruções de Jean Ping para não" fazê-lo.

Mugabe foi derrotado no primeiro turno das eleições presidenciais realizadas em 29 de março por Tsvangirai, que não obteve, no entanto, os votos necessários para uma maioria direta.

No segundo turno do pleito, em 27 de junho, Mugabe participou sozinho, pois Tsvangirai se retirou da disputa alegando que governistas estavam empreendendo uma campanha de violência contra partidários do MDC.

Apesar de a comunidade internacional ter taxado de ilegítimo o resultado das eleições, Mugabe, no poder desde a independência do Zimbábue em 1980, assumiu imediatamente o mandato e governa por decreto.

A UA e a ONU pediram a Mugabe e à oposição zimbabuana que iniciasse um diálogo para o estabelecimento de um Governo de união nacional que permita ao país sair da crise em que se encontra. EFE cho/rr

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