Oposição do Zimbábue diz que reunião em Pretória não constitui negociação

Johanesburgo, 10 jul (EFE).- O Movimento para a Mudança Democrática (MDC), principal partido de oposição no Zimbábue, reiterou que não mantém negociações com o Governo do presidente Robert Mugabe, e que a reunião realizada hoje, em Pretória, com o governista Zanu-PF, foi para buscar vias de diálogo.

EFE |

"Nos últimos 10 dias, nós declaramos categoricamente que não se realizam atualmente negociações com a Zanu-PF", disse, em comunicado, o presidente do MDC, Morgan Tsvangirai.

"Nenhuma negociação desse tipo poderá acontecer enquanto o regime da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) continuar fazendo a guerra contra meu partido e o povo zimbabuano", afirmou o líder opositor.

"Está sendo realizada, neste momento, uma reunião em Pretória, na qual o MDC é representado por seu Secretário Geral, Tendai Biti, e o Tesoureiro do partido, Elton Mangoma. Mas eles estão presentes a esse encontro somente para discutir as condições para a realização de negociações genuínas, e os mecanismos que regularão as mesmas", acrescenta.

Segundo Tsvangirai, a falta de condições e o formato que poderiam ter essas negociações foram as razões pelas quais o MDC não participou do encontro, no sábado passado, em Harare, entre Mugabe e o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, mediador designado pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

"Aqueles que fingem que esta reunião (em Pretória) marca o começo das negociações entre o MDC e o Zanu-PF são desonestos, e tentam explorar a situação do povo zimbabuano para servir a seus interesses políticos", afirmou.

Tsvangirai acrescentou que apresentar estas conversas preliminares como as verdadeiras negociações contraria a resolução da União Africana, que ordena que as partes formem um Governo de união nacional, assim as declarações dos líderes do G8 e o atual processo em andamento no Conselho de Segurança da ONU.

"Todas essas instâncias têm como objetivo pressionar o regime do Zanu-PF para que desista de sua campanha de violência contra o MDC e a população zimbabuana", disse Tsvangirai, especificando que o fim da violência política é a condição primordial de seu partido para participar de negociações com o Governo.

Exigiu ainda a libertação dos mais de 1.500 prisioneiros políticos, o fim do assédio contra a liderança do MDC e o restabelecimento dos serviços prestados pelas organizações humanitárias internacionais, suspensos por Mugabe.

Tsvangirai afirmou também que o Parlamento e o Senado, nos quais o MDC obteve a maioria das cadeiras nas eleições gerais de 29 de março, devem começar a funcionar imediatamente, e que a equipe de mediação liderada por Mbeki precisa incluir um enviado permanente da União Africana. EFE jm/gs

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