Oposição do Zimbábue denuncia 10 mortes e 400 detidos desde as eleições

Johanesburgo, 20 abr (EFE).- O partido opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), denunciou hoje que, desde as eleições no Zimbábue em 29 de março, dez de seus partidários foram assassinados e outros 400 foram detidos.

EFE |

"O regime desencadeou uma onda de violência contra o povo", afirmou hoje em entrevista coletiva, em Johanesburgo, o secretário-geral do MDC, Tendai Biti.

O dirigente político responsabilizou pelos atos de violência a governante União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), liderado pelo presidente do país, Robert Mugabe, no poder desde 1980 e acusado de violar os direitos humanos e políticos em seu país.

"O Zimbábue é uma zona de guerra", disse Biti, que acrescentou que a onda de violência gerada no país levou cerca três mil pessoas a abandonar suas comunidades de origem e buscar lugares mais seguros.

O MDC afirma que ganhou as eleições presidenciais de 29 de março, cujos resultados oficiais ainda não foram divulgados.

O candidato presidencial do MDC, Morgan Tsvangiari, afirma que obteve votos suficientes para ser eleito sem necessidade de segundo turno.

O Governo, no entanto, acredita que nem Tsvangirai nem Mugabe, que aspira à reeleição, conseguiram mais da metade dos votos no primeiro turno.

De acordo com Biti, o MDC não aceitará outra decisão que não seja a vitória de seu partido no pleito presidencial. Para ele, as condições atuais do país não garantem a realização de um segundo turno.

Hoje, a União Africana (UA) expressou sua preocupação em relação à divulgação dos resultados das eleições, e pediu que isso seja feito "sem mais demora".

"A União Africana expressa sua preocupação pelo atraso observado no anúncio dos resultados, o que cria uma atmosfera de tensão", diz em comunicado a organização continental, com sede na Etiópia.

No texto, a UA pede "às autoridades competentes da República do Zimbábue que anunciem os resultados sem mais demora e com transparência, para contribuir com a redução da tensão no país".

Até agora, a Comissão Eleitoral só divulgou os resultados das eleições parlamentares, realizadas simultaneamente com as presidenciais.

A oposição conseguiu mais deputados que o partido governante, enquanto o Senado está dividido em partes iguais.

As autoridades eleitorais começaram ontem uma recontagem em 23 das 207 circunscrições onde houve votação, nas quais se suspeita que aconteceram irregularidades na primeira apuração.

O partido governista se opôs a recontagem e levou o caso aos tribunais, mas seu pedido foi rejeitado. Espera-se que a nova apuração dure até três dias. EFE ag/rr/an

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