Oposição do Zimbábue confirma greve geral para exigir resultado eleitoral

A oposição do Zimbábue confirmou, nesta segunda-feira, sua convocação de greve geral a partir desta terça-feira, depois que um tribunal de Harare se negar a ordenar a difusão imediata dos resultados das eleições presidenciais realizadas em 29 de março passado.

AFP |

"O recurso foi negado, com os custos judiciais a cargo do autor do recurso", anunciou o juiz Tendai Uchena.

Tsvangirai havia se proclamado vitorioso nas eleições presidenciais contra o mandatário atual, Robert Mugabe, que tenta se reeleger e está há 28 anos no poder. "Fazemos uma convocação à população para que proteste contra a Comissão Eleitoral por negar a difusão dos resultados", anunciou o vice-presidente do opositor Movimento pela Mudança Democrática (MCD), Thokhozani Khupe.

"Convocamos uma greve geral a partir desta terça-feira para que os resultados sejam difundidos", afirmou Khupe.

A decisão do juiz Uchena é um sério revés para o MDC, que esperava que com o recurso pudesse reconhecer a vitória no primeiro turno.

Quando apresentaram o recurso há seis dias, os advogados da oposição argumentaram que a Comissão Eleitoral "conhecia" os resultados e afirmaram que "não havia razão" para um adiamento da sua publicação.

Em contrapartida, a Comissão Eleitoral indicou que a coleta dos votos e a verificação dos resultados ainda não tinham sido concluídas.

Agora, o MDC tem poucas opções adiante.

A tentativa de mobilizar os líderes regionais em seu favor, com a cúpula de Lusaka, no sábado, não rendeu os resultados esperados.

Os dirigentes da África Austral se limitaram a pedir, o mais rápido possível, os resultados dos comícios presidenciais, sem criticar o atual presidente do país.

As anteriores convocações de greve obtiveram, por sua parte, escassa adesão entre os zimbabuenses.

Por outro lado, a decisão do MDC de boicotar um eventual segundo turno, iria fazer com que o partido no poder, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriota (ZANU-PF), se reelegesse automaticamente, indicaram especialistas em direito.

A situação no Zimbábue se complicou um pouco mais no fim de semana ao se divulgar os resultados das eleições legislativas que, até agora, foram vencidas pelo MDC.

A Comissão Eleitoral se prepara para realizar a recontagem em 23 regiões a partir de sábado, de um total de 210, em todas as eleições - presidencial, legislativa, senatorial e municipal.

"Os candidatos e seus representantes foram informados da recontagem por um comunicado", declarou nesta segunda-feira à AFP Utoile Silaigwana, subdiretora da Comissão Eleitoral.

O MDC assegurava que não recebeu nenhum aviso e apresentou um segundo recurso na justiça para impedir essa recontagem parcial. Esse recurso deverá ser analisado na terça-feira

A recontagem poderá retirar a maioria na Câmara dos Deputados do MDC, em favor do partido no poder, o Zanu-FP. De acordo com os resultados iniciais, o Zanu-FP perdeu a maioria que detinha há 28 anos na Casa, com 97 cadeiras contra 109 da oposição e um independente.

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