Oposição do Irã cancela protesto marcado para sábado

Por questões de segurança, Mousavi e Karroubi cancelam evento que marcaria o 1.º ano desde a contestada reeleição de Ahmadinejad

iG São Paulo |

Líderes da oposição do Irã cancelaram nesta quinta-feira uma manifestação programada para o fim de semana, surpreendendo partidários que vinham grafitando muros e distribuindo panfletos para promover o protesto, que marcaria um ano desde a contestada reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. O cancelamento ocorre um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU aprovar a quarta rodada de sanções contra o Irã .

Em um comunicado publicado em sites reformistas e no Facebook, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, candidatos declarados derrotas nas eleições de 12 de junho de 2009, disseram que cancelavam a manifestação antigoverno que promoviam há semanas "para salvaguardar as vidas e as propriedades da população".

Os resultados das eleições desataram meses de manifestações em sua maioria pacíficas dos opositores, conhecidos como Movimento Verde e liderado por Mousavi e Karroubi. Os protestos, porém, acabaram sendo reprimidos com força brutal por meio da prisão de dissidentes e do lançamento de uma campanha para retratar os opositores como agentes estrangeiros. As autoridades também executaram vários ativistas, desatando medo entre os membros da oposição.

O presidente dos EUA, Barack Obama, referiu-se às eleições do ano passado e à subsequente repressão dos protestos na quarta-feira, quando discursou sobre a aprovação das novas sanções contra o Irã por seu programa nuclear .

"Um evento que deveria ser lembrado pela participação entusiasmada da população iraniana", disse, "será em vez disso lembrado pela forma como o governo iraniano brutalmente suprimiu o dissenso e assassinou inocentes".

A exata razão para o cancelamento da manifestação de sábado ainda não está clara. Mousavi e Karroubi justificaram sua decisão afirmando que um pedido de permissão para realizar o evento não recebeu nenhuma resposta. Mas ninguém esperava que o mesmo Ministério do Interior que confirmou a reeleição de Ahmadinejad aprovasse um protesto antigoverno.

"Recebemos informações de que, mais uma vez, os linha-duras e os repressores estão sendo organizados para atacar a população indefesa e inocente", afirmaram em comunicado conjunto. Mas poucos esperavam que o governo não usasse violência em resposta ao protesto.

No último ano, o governo gradualmente aumentou os controles de repressão, informou nesta quinta-feira um relatório da Human Rights Watch, que tem monitorado a situação por meio de entrevistas com pessoas no Irã. Durante as últimas semanas, o governo e a polícia advertiram os iranianos a não participar em quaisquer reuniões no sábado.

As manifestações antigoverno começaram fortes, mas perderam o impulso em meses recentes à medida que as forças de segurança buscaram silenciar as vozes do dissenso. Segundo a Human Rights Watch, a atual atmosfera dentro do país é marcadamente diferente das imagens de desafio estampadas na internet e nas TVs há um ano.

Segundo o jornal americano Los Angeles Times, alguns opositores elogiaram Mousavi e Karroubi por mostrar responsabilidade. Outros disseram estar desapontados e irritados.

"Mas por quê?", um perguntou em comentário postado no site de Mousavi, Kaleme.com. "Estamos prontos para morrer. Não deveríamos cancelar. Isso vai desestimular a mim e a outras pessoas. É perigo para o movimento cancelar a manifestação."

No ano passado, Mousavi tentou cancelar um protesto em 15 de junho horas antes de sua realização, mas, apesar disso, milhões de iranianos desafiaram as forças de segurança e a milícia pró-governo Basij, lotando a Praça Azadi, em Teerã.

Apesar do cancelamento, alguns iranianos disseram à rede de TV CNN que sairiam às ruas se perceberem que o crescimento dos protestos.

*Com LA Times, CNN e Reuters

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