Oposição do Azerbaijão rejeita reeleição do presidente Aliev

Os principais partidos da oposição no Azerbaijão anunciaram nesta quinta-feira que não reconhecem os resultados das eleições presidenciais, nas quais o atual presidente Ilham Aliev obteve a vitória com folga.

AFP |

Os partidos opositores decidiram boicotar as eleições da véspera acusando as autoridades de perseguir a oposição, censurar a imprensa e manipular as eleições anteriores.

"Não aceitaremos estas eleições nem este governo como legítimo", declarou Ali Keremli, líder do Partido da Frente Popular. "Vamos discutir um plano de ação".

Aliev foi reeleito com ampla margem ao conseguir pelo menos 89% dos votos, segundo anunciou o chefe da Comissão Eleitoral Central azerbaijana.

Um dos representantes da oposição, Iqbal Agazade, ficou em segundo lugar, com 2,78% dos votos, à frente de outros cinco candidatos.

Ilham Aliev, de 46 anos, foi eleito em 2003, com quase 77% dos votos para suceder a seu pai, Heydar Aliev, um veterano dos serviços secretos da extinta União Soviética (KGB) e do politburo soviético e presidente do Azerbaijão independente de 1993 a 2003. Heydar Aliev faleceu em dezembro de 2003.

A vitória do atual presidente era, praticamente, um fato consumado, e a principal questão que se colocava era saber como Ilham Aliev, cortejado por Washington e por Moscou, agirá para realizar seu desejo de recuperar a província separatista de Nagorny-Karabaj, sob controle armênio.

Durante seu primeiro mandato, Aliev conseguiu manter boas relações tanto com a Rússia quanto com os Estados Unidos. Ambos têm interesse nos recursos petroleiros do Azerbaijão e, após o conflito em agosto passado entre russos e georgianos, intensificaram sua luta por influência no país.

De fato, Aliev enfrentou outros seis candidatos "aliados", já que a verdadeira oposição decidiu boicotar as eleições, acusando as autoridades de perseguir os opositores, de amordaçar a imprensa e de manipular o processo eleitoral.

O opositor Isa Gambar, que chegou em segundo lugar no pleito de 2003, declarou que essa votação é "uma farsa".

"Isso é simplesmente um simulacro de eleições por parte do regime de Ilham Aliev", disse Gambar à AFP, acrescentando que "todos os partidos realmente de oposição e todas as pessoas que defendem a democracia real no Azerbaijão boicotam essas eleições".

Quase 400 observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) acompanharam a votação.

tg-mm/tt/cn

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