Oposição diz ter assumido o poder no Quirguistão

Líderes da oposição disseram ter destituído o governo do Quirguistão, um importante aliado dos EUA na Ásia Central. Segundo os oposicionistas, o primeiro-ministro Daniyar Usenov já aceitou renunciar, mas o presidente Kurmanbek Bakiyev ainda não.

iG São Paulo |


O paradeiro do presidente é desconhecido, mas há relatos de que ele teria deixado a capital do país, Bishek, em seu avião, após a escalada de confrontos entre manifestantes da oposição e forças de segurança.

AFP
Opositores atacam veículo da polícia antidistúrbios do Quirguistão

Opositores atacam veículo da polícia antidistúrbios do Quirguistão

"O poder da República é controlado pela oposição. Não se sabe onde o presidente está", assinalou a ex-chanceler Rosa Otunbayeva e autoproclamada chefe do governo de união nacional supostamente formado pela oposição. O Departamento de Estado dos EUA, porém, diz acreditar que o governo ainda continua no poder.

Segundo o Ministério da Saúde, os confrontos deixaram 40 mortos e mais de 400 feridos, enquanto o líder da oposição do Quirguistão, Omurbek Tekebayev, ex-presidente do Parlamento, afirmou que o número de mortos já chega a 100 na capital.

"Pelos nossos dados, morreram cerca de 100 pessoas", afirmou Tekebayev em um discurso na televisão pública, cujas transmissões estão controladas pela oposição, segundo a agência russa "Interfax". A informação não pôde ser confirmada por fontes independentes.

No início da tarde, milhares de manifestantes furiosos com a corrupção do governo e o recente aumento nos preços de energia elétrica se reuniram ao redor da sede da presidência e tentaram entrar à força no local para exigir a renúncia do presidente Kurmanbek Bakiev. A maioria das mortes nos confrontos teria ocorrido nesse momento.

No decorrer do dia, eles saquearam o prédio da televisão e rádio estatais e marcharam em direção à sede do Ministério do Interior em Bishkek. Policiais de elite abriram fogo contra a multidão para tentar afastá-la dos prédios governamentais.

AP
Policiais pulam muro para fugir de manifestantes

Policiais pulam muro para fugir de manifestantes

Além disso, o ministro do Interior Moldomusa Kongantiev foi espancado até a morte durante os protestos na cidade de Talas, no oeste do Quirguistão, onde os protestos começaram na terça-feira, espalhando-se depois para Bishkek e outras cidades. O primeiro-ministro quirguiz decretou estado de emergência em todo o país.

Os tumultos ameaçam a relativa estabilidade dessa ex-nação soviética, que abriga uma base militar dos EUA que é chave para o fornecimento de material militar para a luta contra a milícia islâmica Taleban no vizinho Afeganistão. O país também é visto como área de influência estratégica pela Rússia.

Repressão

No início dos protestos, a polícia em Bishkek primeiramente usou balas de borracha, gás lacrimogêneo e canhões de água para tentar controlar as multidões de jovens vestidos de preto que perseguiam policiais, os espancavam e se apossavam de suas armas, caminhões e blindados.

Alguns manifestantes tentaram destruir os portões da sede do governo, chamada de Casa Branca. "Não queremos seu poder sujo!", afirmou o manifestante Makhsat Talbadyev, enquanto ele e outros em Bishkek seguravam bandeiras da oposição e gritavam: "Fora Bakiev!" Com os tumultos saindo do controle, cerca de 200 policiais de elite começaram a disparar para afastar a multidão.

Pelo menos dez líderes da oposição - entre eles o ex-candidato à presidência Almazbek Atambayev - foram detidos e acusados de crimes graves. Além de Atambayev foram presos o presidente do Parlamento quirguiz, Omurbek Tekebayev, e o vice dele, Bolot Cherniazov.

AP
Policial é agredido durante protestos

Policial é agredido durante protestos

Muitos dos líderes da oposição eram inicialmente aliados de Bakiev e o ajudaram a chegar ao poder em manifestações de rua conhecidas como Revolução das Tulipas, em março de 2005. Eles depuseram seu antecessor, acusando-o de corrupção e de reprimir os opositores.

Cinco anos depois, Bakiev enfrenta acusações similares de uma oposição que afirma que ele sacrificou os padrões democráticos enquanto enriquecia a si mesmo e sua família.

Com AP, AFP, BBC e EFE

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