Oposição diz que Mugabe prepara onda de violência para se manter no poder

Harare, 5 abr (EFE).- A oposição do Zimbábue voltou a afirmar hoje que venceu as eleições presidenciais do sábado passado e acusou o regime de Robert Mugabe de preparar uma onda de violência para se manter no poder.

EFE |

"A violência vai a ser a nova arma para conter a vontade do povo", afirmou aos jornalistas o líder do Movimento para Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai.

A oposição diz que saiu da vitoriosa das eleições presidenciais do último sábado com 50,3% dos votos. Porém, as autoridades eleitorais ainda não divulgaram o resultado oficial do pleito.

Tsvangirai, que concorreu pela segunda vez à Presidência, disse que, com a vitória que obteve nas urnas - não confirmada oficialmente -, não será necessário segundo turno, já que recebeu mais da metade dos votos.

"Ganhamos a eleição sem necessidade de segundo turno", disse Tsvangirai aos jornalistas trajando terno e gravata, algo pouco comum para o líder político.

O líder opositor acusou o presidente Robert Mugabe, no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, de recorrer a milícias armadas para aterrorizar os simpatizantes da oposição.

Centenas de veteranos da guerra da independência do Zimbábue desfilaram na sexta-feira pelas ruas de Harare em solidariedade a Mugabe e acusaram a oposição de ser apoiada por "gente branca".

"As milícias estão sendo recrutadas e reabilitadas", afirmou hoje Tsvangirai em sua primeira entrevista coletiva desde que o MDC o apontou como vencedor das eleições.

Tsvangirai também disse que o Banco Central está imprimindo dinheiro para utilizá-lo para manipular os resultados e "para financiar atividades violentas".

Segundo os dados do MDC, Mugabe obteve 43,8% dos votos contra os 50,3% do líder opositor.

Nas eleições parlamentares que aconteceram junto com as presidenciais e cuja apuração já está encerrada, as duas facções do MDC conseguiram mais cadeiras que o partido governista.

A legenda no poder, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), concordou, na sexta-feira, em concorrer ao eventual segundo turno das eleições, apesar de o resultado oficial do primeiro ser desconhecido. EFE ag/rr/sc

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