Oposição diz que 80 ativistas foram agredidos no Zimbábue

O movimento de oposição no Zimbábue disse nesta terça-feira que pelo menos 80 ativistas foram agredidos por militantes pró-governo em diferentes partes do país. As agressões teriam acontecido nas províncias de Manicaland, no leste, e de Matabeleland, no oeste.

BBC Brasil |

O Zimbábue vive um período de tensão após as eleições da semana passada. A oposição ao governo, liderada pelo MDC do líder Morgan Tsvangirai, diz ter vencido as eleições presidenciais, com 50,3% dos votos.

Já o partido governista Zanu-PF, do presidente Robert Mugabe, pede uma recontagem dos votos. Mugabe está no poder desde 1980, ano da independência do Zimbábue.

Nesta terça-feira, a Alta Corte do país disse que tratará com urgência o pedido da oposição de divulgação imediata do resultado das eleições presidenciais. Dez dias após o pleito, ainda não houve anúncio oficial.

Violência
Cerca de 60 fazendeiros teriam deixado suas propriedades após serem agredidos por militantes pró-governo, de acordo com o presidente do sindicado dos fazendeiros do país, Trevor Gifford.

Um ex-militar disse à BBC que teve de deixar sua casa após ser agredido por apoiar o candidato independente nas eleições, Simba Makoni.

"Estes homens (os veteranos de guerra pró-Mugabe) começaram a violência e isso vai continuar até a recontagem", disse ele. Ele disse que pelo menos outros 20 opositores de Mugabe foram atacados na cidade de Bulawayo.

Em Manicaland, o candidato oposicionista ao Parlamento Misheck Kagurabadza disse que cerca de 60 famílias deixaram suas casas depois de serem agredidas pelo movimento de veteranos de guerra pró-Mugabe.

"Pessoas estão sendo agredidas por apoiarem o MDC", disse o político.

Na segunda-feira, o candidato da oposição visitou a África do Sul, onde se encontrou com o presidente do partido governista sul-africano, Jacob Zuma. O líder sul-africano não se manifestou após o encontro com Tsvangirai.

A África do Sul - o país mais rico da região - tem sido pressionada para se manifestar contra Mugabe, mas o governo do país tem evitado tomar partido no conflito.

Prisões
Nesta terça-feira, pelo menos sete funcionários da Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, na sigla em inglês) foram presos por supostamente fraudar a contagem dos votos e tentar colocar Robert Mugabe em desvantagem.

Segundo a polícia, os funcionários, que teriam desviado quase 5 mil votos de Mugabe, foram presos em três diferentes áreas do país. Eles estão sendo acusados de fraude e abuso de autoridade.

Nas eleições parlamentares, realizadas junto com o pleito presidencial, os partidos de oposição obtiveram 109 assentos, enquanto o Zanu-PF conseguiu apenas 97. Foi a primeira vez que o partido fracassou em obter a maioria desde a independência do Zimbábue da Grã-Bretanha, em 1980.

Mais cedo, Mugabe conclamou a população negra do Zimbábue a resistir às tentativas de fazendeiros brancos de retomar terras confiscadas pelo governo.

Segundo o jornal estatal Herald-Sun, Mugabe pediu aos negros "não retroceder na batalha da terra".

No ano 2000, havia 4 mil fazendeiros brancos cultivando um bom quinhão da melhor terra do Zimbábue. Hoje esse número caiu para 300, como conseqüência de uma campanha oficial que incluiu confiscos violentos e redistribuição de terras a negros.

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