Oposição desafia o poder; Khatami e manifestantes são atacados

Manifestações da oposição desencadearam atos de violência nesta sexta-feira em Terrã, onde o ex-presidente Mohammed Khatami foi agredido por partidários do regime ultraconservador e outros manifestantes foram detidos, segundo um site de notícias e testemunhas.

AFP |

O líder da oposição, Hossein Moussavi, que chegou de carro em uma das manifestações, foi recebido aos gritos de "morte a Moussavi" por simpatizantes do regime, que se jogaram contra seu veículo, forçando-o a deixar o local, informou a agência oficial Irna.

Esta foi a primeira vez em quase dois meses e meio que a oposição manifestava contra a reeleição, em 12 de junho, do presidente Mahmud Ahmadinejad e em apoio ao moderado Moussavi, que acusa as autoridades de fraude eleitoral.

Desafiando as advertências do regime, dezenas de milhares de partidários da oposição saíram às ruas pela manhã, coincidindo com um evento oficial organizado pelo regime em solidariedade com os palestinos.

Em meio de um forte dispositivo policial, moças e rapazes usando braceletes verdes, cor da campanha eleitoral de Moussavi, se reuniram em diferentes praças de Teerã, gritando principalmente palavras de ordem a favor de seu líder.

Khatami, que participava de uma das manifestações, foi fisicamente agredido, segundo o site reformista Parlemannews.ir. "Um grupo de conservadores queria bater nele, mas partidários (de Khatami) os impediram", afirmou o site.

Na praça Haft-e Tir, partidários do regime circulando de moto detiveram vários manifestantes da oposição, segundo testemunhas. A polícia inteveio em seguida para dispersar as pessoas.

Em outros lugares do país, 'bassijs', membros da mílicia islâmica, atacaram manifestantes em Tabriz (norte) e policiais à paisana prenderam opositores, segundo o site opositor Mowjcamp.com. Em Ispahan (centro), opositores foram agredidos.

Em Teerã, partidários do regime gritavam "Morte à América" e "Morte a Israel", usando as palavras de ordem tradicionais do Dia de Qods (Jerusalém) decretado há 30 anos pelo aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica, para apoiar os palestinos.

Na Universidade de Teerã, onde estavam reunidos alguns fiéis, Ahmadinejad disse novamente que o Holocausto é um mito, o que já havia causado indignação no mundo, e afirmou que o regime (israelense) estava desabando.

Ele disse ainda que o movimento da oposição no Irã estava no fim. "Eles disseram recentemente que algumas pessoas se reuniam em Nova York para protestar, mas o tempo deste tipo de ação desesperada terminou", disse em alusão à Assembleia Geral da ONU.

bur/vl/lm/fp

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