Oposição decide boicotar eleições em Mianmar

O principal partido opositor de Mianmar, a Liga Nacional para a Democracia (LND), liderada pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, anunciou nesta segunda-feira que boicotará as eleições que o regime deve realizar este ano.

EFE |

A cúpula da LND optou, no fim das contas, seguir o caminho traçado por Suu Kyi, que já havia se pronunciado contra a participação da legenda na eleição, à qual, de acordo com a nova legislação, não poderia concorrer por estar em prisão domiciliar.

Suu Kyi também não poderia se candidatar à chefia de Estado porque já foi casada com um estrangeiro e seus filhos têm passaportes britânicos.

"Após uma votação unânime, decidimos não nos registrar como partido político porque as leis eleitorais são injustas", afirmou Nyan Win ao término do encontro da cúpula do partido, que foi vigiado por dezenas de policiais e militares em Yangun.

Com a decisão, a LND se livrou da obrigação que teria de expulsar a líder opositora de suas fileiras caso ela resolvesse disputar as eleições, como determina as normas aprovadas pelos generais birmaneses e denunciadas pela oposição e pela comunidade internacional.

A partir de agora, o partido terá que se dissolver ou operar na clandestinidade. Mas, se mudar de opinião, terá até a primeira semana de maio para se registrar para a eleição, cuja data ainda não foi anunciada pelo chefe da Junta Militar, general Than Shwe.

Analistas acham que o boicote da LND diminuirá a legitimidade das eleições, que estão sendo vistas por muitos como uma mera estratégia política para perpetuar no poder o regime militar, no governo desde 1962.

"A situação agora é totalmente diferente. Estamos atados pelas novas leis e, se nos candidatarmos, teremos poucas chances de ganhar a maioria das cadeiras, para não falar de uma vitória tão esmagadora como a de 1990", declarou Win Tin, um dos principais líderes do partido, em uma recente entrevista.

Win Tin, libertado há dois anos após ter passado outros 14 na prisão, também expressou suas dúvidas sobre a possibilidade de Suu Kyi voltar à legenda no futuro, e assegurou que jamais a LND apoiará a Constituição de 2008 ou vigiará as atividades de seus militantes, como a Comissão Eleitoral estaria exigindo.

A opinião dele, no entanto, não é compartilhada pelas dezenas de seguidores da legenda que se reuniram hoje em frente à sede da LND em Yangun, onde esperaram a decisão da cúpula com cartazes de apoio à Nobel da Paz.

"Nos sacrificamos durante 20 anos e temos que nos render desse jeito? Imagine como nos sentimos", declarou Nan Khin Htwe Mying, um líder do partido na região da minoria étnica karen.

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