Oposição de Belarus protesta contra resultados após fechamento dos colégios

Moscou, 27 set (EFE).- A oposição bielo-russa foi hoje às ruas pouco após o fechamento dos colégios eleitorais, em protesto contra os resultados oficiais, que ainda não foram divulgados.

EFE |

"As eleições ocorreram maravilhosamente bem. O eleitor não nos defraudou", disse Lidia Yermoshina, presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC), que duas horas antes já tinha informado sobre uma participação de 66,7% do eleitorado.

Cerca de 250 pessoas se reuniram na praça central, acompanhadas por praticamente todos os correspondentes estrangeiros credenciados para cobrir as eleições e, pela primeira vez, à revelia das forças da ordem.

"Belarus está viva" e "Frente Popular" são as principais palavras de ordem.

Junto com as bandeiras da União Européia, os manifestantes levam também bandeiras vermelhas e brancas, que Belarus teve em seu curto período de independência após a revolução bolchevique na Rússia e depois após a desintegração da URSS em 1991 e até 1995, quando chegou ao poder o atual presidente, Aleksandr Lukashenko, que restituiu a simbologia soviética.

"Nunca reconheceremos como legítimos os resultados das eleições.

Sair às ruas para protestar é nossa obrigação moral", disse em conversa por telefone Anatoli Lebedko, líder do Partido Cívico Unido (PCU).

Segundo Lebedko, "Lukashenko aplica ao pé da letra o dito de Stalin: 'Não importa como se vota, mas como se contam os votos'".

De acordo com o líder opositor, a comissão eleitoral, que é a encarregada de contar os votos, quase não conta com representantes da oposição democrática.

"Os partidos governistas dominam 99,95% dos postos na comissão e a oposição, 0,05%", disse.

Na busca da normalização de relações com o Ocidente, Lukashenko anunciou uma "transparência sem precedentes" e a participação de "todos os observadores que quiserem" neste pleito.

Afirmou, inclusive, que, em alguns casos, as autoridades tiveram que descumprir sua própria legislação e a Constituição "para que as eleições ocorressem como o Ocidente e a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) queriam".

Por isso, "se também desta vez (os representantes do Ocidente) declaram que (as eleições) foram antidemocráticas, deixaremos de falar com eles", advertiu.

Mais de 900 observadores estrangeiros, entre eles mais de 400 enviados pela OSCE, controlam o andamento do pleito.

A União Européia antecipou que o cumprimento das normas internacionais neste pleito contribuirá para a normalização das relações bilaterais. EFE mb/an

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