Oposição da Síria pede reunião do Conselho de Segurança da ONU

Após matança, oposição pede interferência e governo inaugura estátua em homenagem ao exército

AFP |

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne a maioria da oposição síria, pediu nesta quarta-feira uma reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da Liga Árabe para abordar as recentes "matanças" cometidas pelas forças de segurança. Pelo menos 100 pessoas foram mortas nesta terça-feira.

EFE
População participa de evento de inauguração de estátua de sete metros em homenagem a militares
Enquanto isso, o governo reuniu milhares em Damasco para a inauguração de uma estátua de sete metros em homenagem ao "trabalhador do exército". A Síria aguarda a chegada esta semana da Liga Áraba, que deve negociar a transição do regime.

O Conselho Nacional de Segurança emitiu comunicado oficial pedindo interferência da ONU: "Com as matanças horríveis cometidas pelo regime do presidente Bashar al-Assad contra civis desarmados, em particular nas montanhas de Zawiyah, em Idleg e Homs, o CNS pede uma reunião de urgência da Liga Árabe e do Conselho de Segurança da ONU", diz a nota.

O órgão argumenta também que Assad está negociando uma forma de manter o atual regime. "O governo sírio rejeitou todas as propostas para solucionar o conflito de forma pacífica, mas negocia uma saída com dois países europeus", disse o responsável de comunicação do CNS Ahmed Ramadan, que não quis dizer os nomes desses Estados.

Ramadan, que acaba de participar em Túnis de uma reunião do conselho afirmou que o órgão defende a transição. "Nós propomos a Assad e à Síria um período transitório com um governo pluralista que representará, inclusive, atuais responsáveis que não estejam envolvidos na repressão", acrescentou.

Segundo cálculos da ONU, mais de 5 mil pessoas foram mortas pelas forças governamentais desde o início dos protestos por uma mudança de regime, em março. Insistindo no espírito conciliador da oposição, Ramadan ressaltou que "não haverá vingança" e indicou que uma lei de anistia será redigida e que trabalharão pela reconciliação nacional.

Na Síria, onde 60% dos habitantes são árabes sunitas, há também uma importante minoria cristã, que representa 10% da população, e outra curda, que mesmo sendo muçulmana sunita, mantêm traços de identidade específicos, além de uma pequena população drusa. De acordo com Ramadan, no Exército, que na terça-feira fez operações como uma forma de preparação para qualquer tipo de agressão, "há muitos militares que esperam o momento de agir e protestar contra o regime". No entanto, acrescentou, "o regime mantém suas famílias sob um controle ferrenho e faz chantagem".

Sobre as Forças Armadas, Ramadan explicou que a intenção da oposição é "cooperar com o Exército para proteger a segurança da nação" e "manter as instituições do Estado", evitando que se repita a experiência do Iraque, onde as forças de ocupação dos Estados Unidos derrubaram o Exército após a ocupação.

Ramadan reafirmou que o presidente tunisiano, Moncef Marzouki, garantiu que o CNS será reconhecido como o único representante do povo sírio, assim que o novo governo for constituído. Na quinta-feira, deverá chegar a Damasco o primeiro grupo de observadores da Liga Árabe, após a Síria ter assinado na segunda-feira o protocolo que permite o trabalho dessa organização.

* com EFE e AFP

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