Oposição da Libéria estuda pedir anulação do segundo turno

Winston Tubman disse que iria considerar uma forma legal de anular os resultados da eleição, mas rejeita guerra com o governo

iG São Paulo |

O principal candidato de oposição da Libéria disse que poderá pedir a anulação da eleição presidencial, boicotada por seus partidários, aumentando a perspectiva de um confronto em um país que ainda se recupera de uma guerra civil.

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AFP
Funcionária espera por eleitores em local de votação em Monróvia, na Libéria (8/11)

Muitos liberianos ficaram em casa durante a votação de terça-feira , seja por medo de uma repetição da violência relacionada com as eleições do início desta semana ou obedecendo a uma convocação de boicote feita por Winston Tubman, principal rival da presidenta Ellen Johnson-Sirleaf.

Tubman alegou que houve fraude no primeiro turno da eleição no mês passado, no qual a recém agraciada pelo Prêmio Nobel da Paz obteve uma vantagem de 11 pontos.

"Nós não vamos aceitar o resultado. Dissemos a eles que não íamos votar e eles foram adiante e colocaram nossas fotos nas cédulas. Não só as pessoas do CDC (o partido de Tubman, de oposição) boicotaram, mas muitos liberianos nos ouviram", disse nesta quarta-feira Tubman, que foi um importante assessor do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

Tubman declarou à Reuters que iria considerar uma forma legal de anular os resultados do segundo turno. "Eu acho que é uma possibilidade, e poderia ser a forma mais abrangente de abordar este conflito", afirmou. "Eu nunca vou pedir uma guerra contra o governo. Nós passamos por uma guerra que deixou 300 mil mortos. Nós não queremos ir por esse caminho novamente."

O Comitê Nacional de Eleições disse que iria começar a divulgar os resultados do segundo turno na noite de quinta-feira.

Trata-se da primeira eleição presidencial organizada localmente na Libéria desde 2003, quando se encerraram 14 anos de confrontos. A Organização das Nações Unidas promoveu uma votação em 2005 que também terminou em controvérsia.

A Libéria quer usar a sua riqueza em ferro e outros recursos para se reconstruir. Críticos de Ellen, a primeira mulher livremente eleita chefe de Estado na África, afirmam que o progresso em seu primeiro mandato foi muito lento.

Uma organização que monitora a eleição, o Instituto Democrático da Libéria, disse na terça-feira que o comparecimento para votar pode ter sido de 25 a 35 por cento dos eleitores, menos da metade dos 71 por cento registrados no primeiro turno, quando os liberianos fizeram fila nas seções eleitorais.

Uma presença tão baixa pode minar a autoridade da presidenta em um segundo mandato e até fazer com que ela abra o diálogo com Tubman, avaliaram analistas.

Garotos vendiam nas ruas jornais com manchetes como "Vitória?" e "Eleitores desafiam ameaças com calma e coragem". Muitos diários trouxeram fotos na primeira página de vítimas dos confrontos de segunda-feira entre policiais e manifestantes da oposição, nos quais pelo menos dois morreram.

A Anistia Internacional pediu uma investigação rigorosa sobre os confrontos da segunda-feira e recomendou calma a todos os liberianos.

Tubman, ex-embaixador liberiano na ONU, usou os incidentes para criticar Johnson-Sirleaf. "Isso mostra a vocês por que o povo liberiano está determinado a se livrar dessa líder. Ela é alguém que usa a violência contra pessoas pacíficas", afirmou.

As rádios King FM e Love FM - vistas como simpáticas a Tubman e a seu candidato a vice, o ex-jogador de futebol George Weah - foram fechadas durante a madrugada de segunda para terça-feira.

Paul Mulbah, gerente da Love, disse que policiais armados chegaram na hora do noticiário da rádio. "Eles colocaram um jornalista sob a mira de armas e o mandaram sair. Trouxeram uma liminar baseada em queixas do ministro da Justiça e do ministro das Comunicações", afirmou. "É lamentável, voltamos aos velhos tempos."

Ellen obteve quase 44 por cento dos votos no primeiro turno, em 11 de outubro, enquanto Tubman teve 33 por cento. Ele saiu da disputa do segundo turno na semana passada e convocou o boicote.

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Tubman havia dito que só estaria disposto a participar do segundo turno se fosse adiado em duas ou quarto semanas e se os procedimentos de contagem fossem mudados.

Observadores eleitorais internacionais consideraram a votação de 11 de outubro em sua maior parte livre e justa. Os Estados Unidos, as Nações Unidas, o bloco regional CEDEAO (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental) e a União Africana criticaram a decisão de Tubman de boicotar o segundo turno.

Com Reuters

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