Oposição da Geórgia busca revanche em eleições parlamentares de amanhã

Misha Vignanski Tbilisi, 20 mai (EFE).- A oposição georgiana tentará, nas eleições parlamentares de amanhã, dar a revanche pela derrota sofrida no pleito presidencial de janeiro, no qual o atual presidente do país, Mikhail Saakashvili, obteve sua reeleição.

EFE |

"Não permitiremos nem nos conformaremos com a fraude", declarou o líder da Oposição Unificada, Levan Gachechiladze, segundo candidato mais votado nas últimas eleições presidenciais, nas quais os oposicionistas denunciaram ter havido fraude.

Gachechiladze convocou seus correligionários para se concentrarem ao final do dia de votação na Praça 26 de Maio, para "impedir que as autoridades manipulem os resultados".

Segundo o líder da oposição, "Saakashvili deve deixar a política e pôr fim à destruição do Estado georgiano".

"O povo tem grandes esperanças de mudança e reivindica eleições limpas. Se o Governo cometer fraude, é muito provável que haja uma insurreição popular", disse hoje à Agência Efe o deputado da oposição Konstantin Guntsadze.

As pesquisas de boca-de-urna dão uma ligeira vantagem ao partido governista Movimento Nacional Unido, com 26,4% das intenções de voto, sobre a Oposição Unificada, que recebe 22,4% dos votos dos entrevistados.

No entanto, todas as possibilidades estão em aberto, por causa do grande número de eleitores indecisos, e porque as listas de partidos só elegem 75 dos 150 deputados do Parlamento unicameral da Geórgia; os 75 restantes são eleitos em circunscrições majoritárias.

Para ter acesso à repartição proporcional das cadeiras para as quais são eleitas as listas de partidos, as legendas políticas devem obter pelo menos 5% dos votos.

Além da Oposição Unificada e do Movimento Nacional Unido, os Partidos Republicano e Trabalhista, assim como o Movimento Democrata Cristão - os três últimos da oposição - podem ser eleitos para o Parlamento, já que, nas enquetes, estão próximos do mínimo necessário para obter representação parlamentar.

Os governistas chegam enfraquecidos às eleições de amanhã pela saída de Nino Burjanadze, a presidente do Parlamento e uma das figuras-chave da Revolução das Rosas, série de manifestações pacíficas que, no final de 2004, provocaram a renúncia do então chefe de Estado Eduard Shevardnadze.

Burjanadze anunciou que não se apresentaria à reeleição e não lideraria a lista do Movimento Nacional Unido, o que era dado como certo, depois de não conseguir um acordo com Saakashvili sobre os nomes dos integrantes da mesma.

O único ponto em que oposicionistas e governistas são unânimes é sobre a necessidade da entrada da Geórgia, o mais rápido possível, na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), pois consideram que o pertencimento à aliança militar é a melhor garantia para a segurança do Estado.

Os parlamentares também estão preocupados com a piora das relações com a Rússia e o agravamento da situação com a Abkházia e a Ossétia do Sul, regiões separatistas que romperam com a Geórgia no início dos anos 1990 após sangrentos conflitos armados nos quais, segundo Tbilisi, houve ajuda de Moscou.

No final de abril, a Rússia aumentou de 2 mil para 2.500 o número de soldados de suas forças de paz na Abkházia com o propósito declarado de evitar um "banho de sangue", devido à suposta acumulação de tropas georgianas na fronteira com a região separatista.

O aumento das tropas russas, que a Geórgia quer substituir por soldados europeus, foi recebido por inquietação tanto pela Otan, que pediu a Moscou para "revisar" a decisão, quanto pela União Européia (UE), que se diz "seriamente preocupada" com a escalada da tensão.

Quase 3,5 milhões de eleitores estão aptos a votar nas eleições de amanhã, em 3.552 colégios eleitorais no país e em 47 no exterior.

Na Geórgia, as seções eleitorais permanecerão abertas das 8h no horário local (1h em Brasília) às 20h (13h em Brasília), e a apuração começará após o fechamento das urnas. EFE mv/wr/gs

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