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Oposição cubana quer que Governo aceite ajuda externa após Gustav

Havana, 4 set (EFE).- Cuba começou a receber hoje os primeiros aviões de ajuda internacional após a passagem do furacão Gustav, enquanto setores da oposição interna pediram ao Governo que aceite o auxílio de mais países, inclusive dos Estados Unidos.

EFE |

Nesta quinta, dois aviões de carga russos chegaram ao aeroporto José Martí de Havana com material de construção, camas, cobertores e outros artigos no primeiro contingente de assistência humanitária a chegar à ilha desde que o "Gustav" atravessou o país no último sábado.

Moscou enviará a Cuba cerca de 100 toneladas de material, incluindo 120 tendas de campanha com capacidade para 40 pessoas cada, materiais de construção, cabos, cobertores, entre outros, informaram à Agência Efe fontes diplomáticas russas.

A embaixada espanhola disse à Efe que o país enviará um primeiro avião com 15 toneladas de material, que inclui "geradores elétricos, kits higiênicos e caixas d'água" e será destinado às províncias de Pinar del Río e Isla de la Juventud, as regiões mais devastadas pelo "Gustav".

O saldo provisório dos prejuízos é de 140 mil casas, escolas e hospitais destruídos parcial ou totalmente, além de milhares de hectares de plantações arrasados e centenas de quilômetros de vias e cabos elétricos e telefônicos atingidos.

Diante deste panorama, setores da oposição interna pediram hoje ao Governo americano que suspenda as restrições do embargo contra Cuba, pelo menos "por dois meses", no que se refere a remessas, pacotes e viagens.

Em carta divulgada hoje em Havana, os opositores Martha Beatriz Roque e Vladimiro Roca, líderes da Agenda para a Transição, afirmam que o objetivo fundamental do pedido é "proporcionar um pequeno alívio aos que sofrem sem solução para seus problemas".

Em 2001, o furacão "Michelle", que devastou sete províncias de Cuba, levou a administração de George W. Bush a suspender as restrições do embargo sobre alimentos e remédios, exceção que continua vigente hoje.

O grupo enviou outra carta ao presidente cubano, Raúl Castro, na qual lhe informa da mensagem enviada a Bush e pede que seja aceita a ajuda dos EUA e dos países da União Européia (UE) ou permita que "ONGs possam contribuir para aliviar a difícil situação" depois da passagem do furacão.

Os dissidentes afirmaram que "a intransigência do Governo cubano em relação à ajuda humanitária após a passagem de qualquer fenômeno atmosférico pela ilha privou o povo do benefício desse auxílio".

O líder da ilegal Comissão Cubana de Direitos Humanos, Elizardo Sánchez, disse hoje à Efe que embora no passado Cuba tenha recebido ajuda da Venezuela, "em geral, a política do Governo foi a de não aceitá-la".

Paralelamente, o Governo americano anunciou hoje que está disposto a permitir o envio de ajuda humanitária aos desabrigados por "Gustav", mas somente por meio de ONGs.

O embaixador mexicano em Havana, Enrique Gabriel Jiménez Remus, disse à Efe que uma comissão de técnicos de seu país viajará à ilha para ver as necessidades da população nos dois temas prioritários: habitação e eletricidade.

O jornal oficial "Granma" informou hoje que os Governos de Brasil, Espanha, Venezuela, Colômbia, China, Bolívia, Argentina, Guatemala, Ilhas Cayman, Peru, Santa Lúcia e Timor Leste ofereceram ajuda.

O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou em artigo publicado na quarta-feira que, para atenuar as necessidades mais básicas, Cuba precisa de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões e necessitará de pelo menos 1,5 milhão de casas resistentes a ciclones.

Fidel Castro chamou os cubanos a se esforçarem para dar resposta aos estragos deixados por "Gustav", que ele comparou aos efeitos da bomba atômica que caiu sobre Hiroshima em 1945.

"Tal esforço deve sair do trabalho do povo. Ninguém o pode fazer por nós", disse. EFE jlp/rb/plc

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