Oposição consegue a Presidência da Assembléia do Zimbábue pela primeira vez

Harare, 25 ago (EFE).- O oposicionista Movimento por Mudança Democrática (MDC) conseguiu hoje pela primeira vez a Presidência da Casa da Assembléia (Câmara Baixa do Parlamento do Zimbábue), em uma votação na qual seu candidato, Lovemore Moyo, recebeu 110 dos 208 votos emitidos.

EFE |

A eleição de Moyo representa um forte revés para o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que governa o país desde sua independência do Reino Unido, em 1980, e que mantém uma forte disputa com o MDC nas negociações para formar um Governo de união nacional que tire o país da crise em que se encontra.

Moyo foi eleito após o juramento dos deputados, cinco meses após as eleições de 29 de março e a após a detenção na manhã de hoje, na porta do Parlamento, de dois deputados eleitos do MDC, dos quais um foi liberado.

Embora o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa, tenha ameaçado boicotar a eleição do presidente da Casa da Assembléia caso algum deputado de seu partido fosse preso, os parlamentares de sua legenda acabaram votando em Moyo, mesmo não tendo a confirmação se Elia Jembere tinha sido liberado.

A eleição do presidente da Casa da Assembléia era muito aguardada, pois a governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), de Mugabe, tem 99 deputados, e o MDC, de Morgan Tsvangirai, 100, enquanto a facção minoritária do MDC, liderada por Arthur Mutambara, tem 10.

Em março, a oposição conseguiu a maioria no Parlamento, e Tsvangirai, o maior número de votos para a Presidência, mas não os 50% mais um necessários para ser eleito no primeiro turno.

Tsvangirai retirou sua candidatura do segundo turno devido aos ataques contra os membros de seu partido por parte de milícias leais a Mugabe, que obteve mais de 80% dos votos no dia 27 de junho.

A comunidade internacional não reconheceu este resultado, e a União Africana (UA) pressionou Mugabe para estabelecer conversas com o objetivo de criar um Governo de unidade que tire o país da profunda crise política e econômica na qual se encontra. EFE jo/wr

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