Oposição busca apoio internacional para negociações no Zimbábue

Johanesburgo, 18 ago (EFE).- O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, visitará esta semana vários países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês), para obter apoio na negociação de um Governo de união nacional com o presidente, Robert Mugabe.

EFE |

Segundo a imprensa sul-africana, o presidente do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) pedirá aos líderes regionais ajuda para resolver a crise no Zimbábue, já que não conseguiu um acordo com Mugabe na Cúpula da SADC, realizada no último fim de semana, em Johanesburgo.

O Governo e a oposição do Zimbábue continuarão as negociações até acertarem um Executivo de união nacional com a mediação do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, segundo confirmaram as duas partes.

"O fracasso não é uma opção" nestas conversas, segundo o principal negociador do MDC, Tendai Biti, que considera fundamental um acordo "muito em breve".

A cúpula da SADC reconheceu a autoridade de Tsvangirai, como vencedor do primeiro turno das eleições presidenciais de 29 de março, nas quais o MDC obteve a maioria no Parlamento, ainda não convocado.

Durante a cúpula, as negociações foram intensificadas, embora não se tenha chegado a um acordo de Governo. Além disso, foi pedido a Mugabe que reúna o Legislativo, o que ele vem se negando a fazer há quase cinco meses.

As conversas a pedido da SADC e da União Africana (UA) para formar um Governo de unidade tiveram início após a assinatura, em Harare, de um pacto entre o MDC e a governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), de Mugabe, em 21 de julho.

No entanto, as conversas durante duas semanas na África do Sul não tiveram grandes avanços. Depois, em Harare, reuniram-se durante três dias seguidos Mugabe, Tsvangirai e o líder da facção minoritária do MDC, Arthur Mutambara, que contou também com a presença de Mbeki.

As negociações continuaram em Johanesburgo durante a cúpula da SADC onde, segundo Mbeki, as partes acertaram as bases de um acordo.

Segundo ele, para ser eficaz, o acordo deve alcançar "todo o coletivo de líderes do Zimbábue".

Tsvangirai reiterou na cúpula que está disposto a ser primeiro-ministro, com poderes executivos, enquanto Mugabe conservaria a Presidência e o controle das Forças Armadas, mas que não aceitará acordos que não lhe concedam o poder necessário para governar o Zimbábue de maneira eficaz.

Mugabe, que está desde 1980 no poder, pretende chegar a um acordo que lhe permita continuar na Presidência, ter o controle das Forças Armadas e de segurança (entre as quais ele conta com forte apoio) e manter uma parte essencial do poder Executivo.

A Zanu-PF perdeu as eleições de 29 de março, quando o MDC obteve a maioria no Parlamento e Tsvangirai conseguiu mais votos nas presidenciais, no entanto, desistiu de concorrer ao segundo turno devido à violência contra os partidários do MDC por parte das milícias da Zanu-PF. EFE cho/ab/rr

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