Oposição boliviana quer Brasil como mediador de negociação

SANTA CRUZ DE LA SIERRA - A oposição boliviana quer a participação do Brasil nas negociações com o governo do presidente Evo Morales para acabar com dias de enfrentamentos violentos que já custaram a vida de quase 30 pessoas.

Redação com Reuters |

O governador oposicionista do departamento de Santa Cruz, Ruben Acosta, disse neste domingo que o 'Brasil é uma garantia de que isso pode ter uma solução'.

Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio vai a Santiago participar de uma reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasur), convocada pela presidente chilena, Michelle Bachelet, para tratar da situação na Bolívia.

'Esperamos do Brasil e do presidente Lula de que o país irmão --e vamos exigir hoje que o Brasil esteja presente no diálogo --ante qualquer possibilidade que possa haver de negociação ou uma facilitação', afirmou Costa, referindo-se ao encontro de domingo à noite entre Morales e a oposição.

Santa Cruz é um dos quatro departamentos que lideram a resistência ao plano de Morales de implantar uma Constituição de caráter socialista, que consolidará a nacionalização da economia e dará mais poder aos indígenas.


Manifestantes da oposição entram em confronto com partidários de Morales / Reuters

Busca de diálogo

Há três semanas, a Bolívia é sacudida por violentos enfrentamentos entre seguidores de Morales e opositores. Em meio à onda de violência, os departamentos de oposição aceitaram abrir um canal de diálogo com o governo para chegar a um acordo de reconciliação nacional.

Uma reunião foi marcada para este domingo, quando funcionários do governo se reunirão com o governador do departamento de Tarija, Mario Cossio, que representará a oposição. Em Santa Cruz, a mediação brasileira é vista como fundamental para um acordo.

'Esperamos que o presidente Lula possa mediar. Houve contatos iniciais com o Brasil e esperamos que o Brasil, com a liderança que tem na região, possa ser aquele que leve à pacificação da Bolívia', declarou Branko Marinkovic Jovicevic, presidente do movimento para a autonomia de Santa Cruz.

No departamento de Pando, os conflitos entre opositores e apoiadores do governo deixaram quase 30 mortos, e na sexta-feira o presidente Morales decretou estado de sítio na região.

Crise política na Bolívia

A Bolívia vive há semanas uma onda de protestos contra o governo em várias regiões do país controladas pela oposição, que gerou choques desde terça-feira passada.

Os governadores regionais opositores de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca exigem que Morales devolva a receita petrolífera que as regiões recebiam pelo Imposto Direto aos Hidrocarbonetos (IDH) e que o Governo cortou para dar um auxílio direto aos idosos.

Estes governadores promoveram processos de autogoverno em suas regiões que o Executivo qualifica de "ilegais" e "separatistas". Também rejeitam frontalmente a Constituição impulsionada por Morales e suas bases.


Mapa político da Bolívia

Leia também:

Leia mais sobre: crise na Bolívia

    Leia tudo sobre: bolívia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG