Oposição boliviana disputa controle de regiões repletas de gás e petróleo

A oposição na Bolívia, enfraquecida em relação ao Governo do presidente do país, Evo Morales, buscará no referendo de amanhã ratificar sua permanência no poder em seis dos nove departamentos (estados) bolivianos, ricos em gás e petróleo, e o futuro de seu projeto de autonomia.

EFE |

O plebiscito tenta solucionar o embate entre as forças de Morales e seu projeto socialista e indigenista, e o poder dos governadores conservadores com sua reivindicação de autonomia que, segundo dizem, não implica em separatismo.

A disputa acontece na metade do mandato de Morales e dos governadores eleitos em 2005 e com dúvidas sobre se o referendo é legal e em meio à polêmica e ambígua fórmula de interpretação dos resultados que definirá vencedores e perdedores.

Morales tem certeza de que pode monopolizar mais poder e derrotar contundentemente os governadores oposicionistas de Santa Cruz, Rubén Costas, de Tarija, Mario Cossío, de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, de Beni, Ernesto Suárez, de Pando, Leopoldo Fernández, e de La Paz, José Luis Paredes.

"O referendo revogatório será para derrubar os governadores neoliberais que ainda existem na Bolívia", declarou Morales várias vezes durante sua campanha convencido de que tirará do poder os governadores que, na sua opinião, entorpeceram suas reformas.

Também serão submetidos à consulta popular os governadores de Oruro, Alberto Aguilar, e de Potosí, Mario Virreira.

A nova governadora de Chuquisaca, Savina Cuéllar, que tomou posse no mês passado, ficará fora do referendo.

Juntos, Santa Cruz, Tarija, Cochabamba, Beni e Pando representam dois terços do território nacional e em seu subsolo estão mais de 85% das reservas de gás e são as mais pujantes exportadoras deste país, mas têm taxa de pobreza de 58%.

Para este bloco de governadores, na consulta de amanhã "estará em jogo se a visão totalitária do Governo" de Morales "poderá ou não derrotar a democracia", disse Costas em recente entrevista ao jornal boliviano "La Prensa".

Além disso, finalmente pode ser definida a briga entre a "Bolívia centralista" e "a autônoma", declarou Cossío.

No entanto, os governadores da oposição não conseguiram manter um bloco unitário para encarar este processo como quando rejeitaram a Assembléia Constituinte e interferiu na aprovação da nova Carta Magna proposta por Morales para aprofundar suas políticas.

Reyes Villa, que em 2005 derrotou Morales em seu reduto de Cochabamba, não votará e foi quem rechaçou de forma mais veemente a consulta e pediu sua suspensão com os argumentos de que é "ilegal" e que há uma suposta fraude em andamento.

Todos os demais governadores passaram de sua oposição inicial para a aceitação da consulta, mas com reparos políticos e jurídicos praticamente respaldados pelo Tribunal Constitucional da Bolívia.

Segundo Reyes Villa, a realização da consulta fará com que o país se torne "ingovernável", pois não resolverá a disputa entre os projetos políticos de Morales e de seus opositores.

Para Costas, por outro lado, "não lutar, ainda com todas as armadilhas montadas por esta consulta, seria deixar o campo livre para o atropelo e principalmente ao objetivo ao Governo de frear o processo autônomo" iniciado em Santa Cruz, Tarija, Pando e Beni.

As quatro regiões aprovaram este ano em referendos estatutos que aprovam um regime autônomo departamental que Morales não reconheceu e os classificou de "ilegais e separatistas".

Segundo o presidente, os estatutos devem ser revisados para implantar outro modelo autonomista que inclua as nações indígenas.

Além disso, a fraqueza da oposição ficou patente no distanciamento dos governadores sobre o principal partido da oposição, o Poder Democrático e Social (Podemos), do ex-presidente Jorge Quiroga, que controla o Senado.

O afastamento foi uma conseqüência da decisão do Podemos de aprovar o referendo revogatório tal como proposto por Morales, mas que tem uma interpretação de percentuais que, na prática, o favorece e menospreza a situação dos governadores.

Neste sistema, para revogar o mandato de Morales são necessários 53,7% dos votos contrários, enquanto para os governadores os percentuais ficam entre 38% e 48%.

A Corte Nacional Eleitoral boliviana se distanciou desta interpretação ao fixar que, com base no princípio de igualdade, para revogar o mandato de um governador serão necessários mais de 50% dos votos, o que pode permitir que muitos continuem nos cargos. EFE ja/wr/fal

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