Oposição boliviana anuncia fim dos bloqueios

A oposição ao governo do presidente Evo Morales anunciou, neste domingo, a suspensão dos bloqueios das estradas nos quatro departamentos (estados) governados pela oposição e que juntos superam em mais de 60% o Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O anúncio foi feito pelo presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branko Marinkovic, em Santa Cruz de la Sierra, capital do departamento.

BBC Brasil |

Os chamados "comitês cívicos" são redutos da oposição a Morales.

"Anunciamos essa medida para facilitar o diálogo (entre governo e oposição). Esperamos que os outros bloqueios (realizados por simpatizantes do governo) também sejam liberados", disse Marinkovic. "Esperamos ainda que se suspenda o estado de sítio em Pando".

Pando, na fronteira com o Acre, registrou pelo menos 16 mortes entre quinta e sexta-feira, mas o ministro de governo, Alfredo Rada, disse que o total de vítimas fatais poderia passar de trinta.

Reunião
O anuncio do fim dos bloqueios de estradas foi feito pouco depois de confirmada, neste domingo, a reunião em La Paz entre o presidente Evo Morales e o prefeito (governador) do departamento de Tarija, Mario Cossío. Ele representará a oposição, como fez na sexta-feira durante sete horas de reunião com o vice-presidente Álvaro García Linera.

Marinkovic não comentou, no entanto, se serão liberados os 24 prédios dos organismos públicos do governo central em Santa Cruz, ocupados há dias por seguidores da oposição.

Pouco depois do anúncio, diferentes grupos de simpatizantes de Morales e do partido oficial, MAS (Movimento ao Socialismo), reiteraram que vão manter os bloqueios de estradas.

"Quem nos garante que eles também vão devolver as representações do governo central", disse um deles.

Seguidores da oposição diziam que vão esperar um comunicado por escrito antes de liberar o trânsito, por exemplo, em Camiri, setor petroleiro em Santa Cruz.

La Paz
A expectativa é de que os dois últimos gestos - suspensão dos bloqueios e retomada do diálogo - aliviem a tensão no país.

"Esperamos que, aos poucos, aqueles que incentivaram a violência contribuam para que o país volte à normalidade. Que devolvam as instituições administradas pelo governo central e que a normalidade democrática retorne ao país", disse o vice-ministro de Descentralização da Bolívia, Fabian Yaksic.

Segundo ele, o encontro deste domingo em La Paz, entre Morales e Cossío, poderá ser o início de um entendimento com uma agenda conjunta da situação e da oposição.

A reunião entre Morales e os opositores esteve ameaçada. Na noite de sábado, numa entrevista à imprensa, três prefeitos de oposição - de Tarija, Santa Cruz e Beni - decidiram impor condições para participar da reunião.

"Que não ocorra mais nenhum ferido e nenhuma morte", disse Costas. O anúncio da prisão do prefeito de Pando, Leopoldo Fernández, também motivou a atitude. "Nos solidarizamos com Fernández", disseram.

Na sexta-feira, o governo Morales decretou estado de sítio em Pando, após os fortes confrontos na semana passada.

Ao mesmo tempo, neste domingo, as emissoras de televisão informaram que um jovem que apóia os comitês cívicos de Santa Cruz e de Cochabamba teve morte cerebral - resultado dos enfrentamentos ocorridos na véspera entre seguidores e opositores de Morales.

Num discurso de despedida, neste domingo, em La Paz, o embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, disse: "Espero que a Bolívia encontre um caminho de unidade e de paz, para o bem de todos". Ele foi expulso por determinação de Morales, que o acusou de contribuir para dividir o país.

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