Oposição boliviana aceita diálogo pedido pela OEA mas não suspende referendo

Os líderes civis que se opõem ao presidente da Bolívia, Evo Morales, aceitaram a proposta de diálogo da Organização dos Estados Americanos (OEA) para encerrar a crise política, mas destacaram que os referendos por autonomia de suas regiões serão mantidos.

AFP |

Carlos Dabdoub, secretário de Autonomias de Santa Cruz, a região mais rica do país e que lidera da oposição, afirmou que está disposto a iniciar o diálogo de forma imediata.

Contudo, Dabdoub advertiu que o referendo convocado para 4 de maio, classificado pelo Executivo de ilegal e separatista, será levado adiante.

"Bem-vindos, que venha a OEA, que peguem o avião amanhã mesmo, que venham aqui e que conversemos", disse.

Ele advertiu, entretanto, que "nada pode deter este processo e que não será a OEA que irá parar o referendo".

"Em 4 de maio a consulta vai acontecer, ainda que se reúnam todas as organizações internacionais", indicou Dabdoub em declarações ao jornal El Deber.

Durante uma sessão do Conselho Permanente da OEA reunida em Washington no sábado, o organismo reiterou seu pleno respaldo às instituições bolivianas e pediu que as autoridades oposicionistas do país andino respondam concretamente aos pedidos de diálogo formulados pela organização.

A OEA advertiu que, caso não se realize uma negociação entre o governo de Morales e os prefeitos opositores antes do referendo, poderá haver derramamento de sangue na Bolívia.

O pedido ocorre faltando menos de sete dias para a consulta convocada em Santa Cruz, para aprovar um estatuto autonômico, uma espécie de Constituição local. Esta será a primeira consulta de um processo que acontecerá ainda nos departamentos de Tarija, Beni e Pando.

A prefeitura de Tarija também se pronunciou, por meio do secretário-geral Carlos Lea Plaza, afirmando que deseja dialogar mas que o governo não oferece sinais positivos.

"Existem reiteradas mostras de se confundir as coisas, para depois tentar fazer papel de vítima na comunidade internacional", argumentou o funcionário.

Por sua vez, o ministro da Defesa da Bolívia, Wálker Miguel, ratificou a decisão do governo de instaurar o diálogo, e que para isso está disposto a "flexibilizar sua posição".

"Vamos buscar todos os caminhos para o diálogo e esperamos que eles também o façam", assinalou, em uma entrevista à rádio estatal Patria Nueva, e negou uma vez mais que o governo do presidente Morales esteja preparando um estado de sítio em Santa Cruz, como sugeriu a oposição.

Ele acrescentou ainda que a ação das Forças Armadas se baseia "nas leis vigentes, que lhes dão a missão de garantir a soberania e a integridade do país".

O ministro boliviano anunciou que na segunda-feira o presidente Morales avaliará a situação com o conselho de ministros, após receber o informe do chanceler, David Choquehuanca - que participou da reunião da OEA -, e disse que não se descarta uma convocação oficial ao diálogo para as próximas horas.

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