Bangcoc, 11 abr (EFE).- O principal partido de oposição em Mianmar (antiga Birmânia), a Liga Nacional pela Democracia (LND), acusou a Junta Militar de impor restrições e de usar a violência na campanha para o plebiscito do projeto constitucional, que acontecerá no dia 10 de maio, informou hoje a rádio dissidente.

O porta-voz do LND, Han Thar Myint, afirmou que "enquanto os aliados da Junta fazem campanha na televisão e distribuem panfletos a favor do texto constitucional, a oposição sofre com restrições e o uso da violência".

O Governo aprovou em fevereiro uma lei que pune com até três anos de prisão os que fizerem campanha contra o texto constitucional, e criou grupos de voluntários para encorajar os cidadãos a votar a favor.

Han Thar denunciou que estes grupos agrediram membros do LND em Yangun, umas das principais cidades de Mianmar.

O líder opositor afirmou que o regime militar, que anunciou a data do plebiscito na quarta-feira passada, não deu tempo suficiente aos cidadãos para que examinem a minuta da Constituição.

O Governo birmanês advertiu na quinta-feira as embaixadas estrangeiras a não aproveitarem a campanha para respaldar a LND e sua líder, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

O jornal oficial "The New Light of Mianmar", usado pelo regime militar para divulgar suas mensagens, assinalou que "certos elementos estrangeiros estão interferindo em nossos assuntos internos, ajudando alguns partidos políticos locais, com a intenção de desestabilizar a nação".

O artigo denuncia que diplomatas credenciados em Yangun visitaram por até 19 vezes no mês passado a sede da Liga Nacional pela Democracia (LND), e lhes exigiu que suspendam essas atividades.

Após mais de dez anos de preparativos, os generais que governam Mianmar anunciaram em fevereiro a realização do plebiscito constitucional, primeiro passo de seu chamado "Mapa de Caminho" em direção à democracia, que culminará, segundo afirmam, com eleições em 2010.

No entanto, a proposta de Carta Magna proíbe Suu Kyi de concorrer nas eleições pelo fato de ela ter sido casada com um estrangeiro e porque seus filhos possuem passaportes britânicos.

Por isso, a oposição considera a Constituição uma operação criada para perpetuar o mandato dos generais, que governam o país desde 1962. EFE fmg/mh

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