Oposição acusa Governo do Zimbábue de negociar com má-fé

Harare, 14 jul (EFE).- As conversas para resolver a crise política no Zimbábue se encontram, aparentemente, em um ponto morto, depois que o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) acusou hoje o Governo do presidente zimbabuano, Robert Mugabe, de negociar de má-fé.

EFE |

O porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, disse à Agência Efe que a legenda União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) não aceitou as condições e o formato das negociações para pôr fim à crise no país.

Delegações dos dois partidos se reuniram na semana passada em Pretória (África do Sul) para buscar formas de diálogo que permitam realizar conversas formais e o MDC especificou que "nenhuma negociação desse tipo poderá acontecer enquanto a Zanu-PF continuar fazendo guerra ao povo zimbabuano".

As conversas preliminares foram suspensas na sexta-feira sem que as partes alcançassem um acordo.

"O partido no Governo não deteve em nenhum momento a violência política contra os seguidores do MDC", disse Chamisa, que ressaltou que os ataques devem cessar imediatamente se o regime de Mugabe desejar realmente iniciar negociações.

Segundo o porta-voz, mais de cem seguidores do MDC foram mortos por grupos paramilitares leais ao Governo, os quais também agrediram fisicamente e torturaram milhares de opositores, enquanto cerca de 1.500 pessoas ainda estão presas por questões políticas e milhões enfrentam a fome e a pobreza.

"O sofrimento do povo zimbabuano aumenta a cada dia e é preciso urgentemente entabular negociações que permitam iniciar uma transição pacífica", acrescentou Chamisa.

Durante a recente cúpula em Sharm el-Sheikh (Egito), a União Africana pediu a Mugabe e à oposição do Zimbábue para iniciar um diálogo para o estabelecimento de um Governo de união nacional.

Mugabe foi derrotado no primeiro turno das eleições presidenciais realizadas em 29 de março pelo líder do MDC, Morgan Tsvangirai, que não obteve, no entanto, o número de votos para uma maioria direta, dando origem a uma segunda rodada de votação.

A segunda fase das presidenciais aconteceu em 27 de junho, mas Mugabe participou sozinho, já que Tsvangirai se retirou devido à campanha de intimidação contra os partidários do MDC, a qual incluiu ataques e assassinatos, realizados pelas milícias leais ao Governo com a conivência das forças de segurança. EFE sk/db

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