Ópio rende US$ 500 milhões a grupos armados afegãos em 2008

Viena, 27 nov (EFE).- O cultivo de ópio no Afeganistão rendeu quase US$ 500 milhões para grupos armados como o talibã em 2008, apesar de a papoula, planta com a qual se produz o entorpecente, ter perdido peso na economia afegã, segundo os dados das Nações Unidas.

EFE |

Com esses números, "não é surpreendente que o equipamento bélico dos insurgentes tenha demonstrado ser tão forte, apesar da pressão das forças afegãs e aliadas", indicou Antonio Maria Costa, diretor do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), em um relatório publicado hoje.

Das 34 províncias afegãs, 18 foram declaradas livre do ópio, enquanto 98% das plantações de papoula se encontram em sete províncias do sul: Helmand, Kandahar, Uruzgan, Farah, Nimroz, Daykundi e Zabul.

É precisamente nestas regiões, especialmente nas três primeiras, onde o talibã está mais ativo.

O relatório assinala que os que manejam a indústria ilegal do ópio no Afeganistão terão arrecadado no fim deste ano quase US$ 500 milhões, através dos impostos que cobram aos agricultores locais.

No entanto, a "cifra de negócios" diminuiu este ano a US$ 730 milhões, contra US$ 1 bilhão em 2007, assim como o valor das exportações caiu de US$ 4 bilhões, em 2007, para US$ 3,4 bilhões, em 2008.

O aumento dos preços dos alimentos básicos e a conseqüente diminuição da margem de lucro para os agricultores em outros cultivos, como o do trigo, por exemplo, fez com que este ano 1 milhão a menos se dedicassem ao cultivo de papoula - 2,4 milhões no total.

O relatório assinala que as plantações de papoula diminuíram 20% em 2008, para 157 mil hectares, apesar de a produção ter caído apenas 6%, para 7,7 mil toneladas, devido a uma boa colheita.

Segundo o diretor da UNODC, é possível que em 2009 se produza ainda menos ópio no Afeganistão já que o talibã estaria forçando uma escassez nos mercados mundiais com a intenção de elevar os preços internacionais.

Costa indicou ainda que reforçou a luta contra os laboratórios clandestinos de heroína e reduziu a importação de equipamentos para fabricá-la.

O Afeganistão é o principal produtor mundial de ópio, que é transformado majoritariamente em heroína e exportado ilegalmente para a Europa através de Paquistão, Rússia e Irã.

O Afeganistão está envolvido em todo o ciclo produtivo, desde a plantação da papoula até a elaboração da heroína processada, e em todo tipo de opiáceos, incluído o ópio em bruto, a morfina semi-refinada ou a heroína refinada. EFE ll/jp

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