Operários injetam nitrogênio em reatores de Fukushima para prevenir explosões

Vice-presidente da empresa que administra a usina afirma que o tsunami foi maior do que o complexo estava preparado para suportar

iG São Paulo |

Os operários que trabalham na usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, começaram a injetar nitrogênio nos três reatores danificados para prevenir explosões de hidrogênio, informou nesta sexta-feira a rede de televisão pública NHK.

AP
Com roupa que protege contra radiação, polícia japonesa procura pessoas desaparecidas no terremoto seguido de tsunami, em Minamisoma, em Fukushima, Japão (31/3)

A medida foi adotada pouco mais de um mês após a empresa Tokyo Electric Power (Tepco), administradora da usina, detectar a acumulação de hidrogênio com densidade de até 2,9% em algumas áreas do reator 2 - segundo especialistas, há risco de explosão se a densidade chegar a 4%.

A injeção de nitrogênio ajuda a diminuir a concentração de hidrogênio. Manter o hidrogênio em níveis baixos é uma condição indispensável para levar os reatores à parada fria - quando a temperatura se estabiliza abaixo de 100 graus centígrados, meta do governo e da Tepco para o fim do ano.

A central de Fukushima é o centro da pior crise nuclear desde o acidente de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986. Os problemas na usina japonesa começaram após o devastador tsunami que castigou o nordeste do Japão no dia 11 de março passado , decorrente de um terremoto de 9 graus de magnitude na escala Richter.

O governo japonês admitiu que, nos dias posteriores à catástrofe, houve uma fusão do núcleo dos reatores danificados, um processo que contribui para a emissão de elevadas porções de radioatividade.

Segundo relatório interno da Tepco divulgado nesta sexta-feira pela NHK, nas horas imediatamente posteriores ao desastre, houve falhas de comunicação que podem ter desacelerado a resposta à emergência.

O documento afirma que o diretor da usina, Masao Yoshida, não foi informado que o sistema de refrigeração de emergência no reator 1 tinha sido detido de forma manual, enquanto uma falha em uma válvula impediu a detecção de que o líquido que cobria as barras de combustível tinha abaixado até deixá-las expostas.

Segundo o relatório, a Tepco acredita que o dano às barras ocorreu cerca de quatro horas depois do tsunami, o que facilitou a entrada de elevadas porções de hidrogênio que, no dia seguinte, teriam causado a primeira das explosões na central.

Também nesta sexta-feira, o vice-presidente da Tepco afirmou que o tsunami que atingiu a usina foi muito maior do que o complexo estava preparado para suportar. "O tamanho do tsunami que enfrentamos foi muito além de nossas expectativas", disse a jornalistas Masao Yamazaki, no momento em que a operadora apresentava o relatório.

A Tepco, reiterando sua avaliação inicial, disse que o tsunami que atingiu a usina Fukushima Daiichi excedeu os 15 metros de altura em algumas áreas, ultrapassando os muros de 10 metros.

"Como foi dito no relatório de avaliação, as medidas de precaução que havíamos preparado não foram suficientes e, como resultado, houve vazamento de radiação. Pedimos sinceras desculpas por causar esse grave acidente", disse Yamazaki.

Alguns acionistas da Tepco abriram processos contra a companhia elétrica em novembro, acusando a empresa de não ter aumentado a altura dos muros de contenção apesar de ter simulado, em 2008, um tsunami que excederia os 15 metros, segundo a mídia japonesa.

Uma comissão externa que checou a avaliação da Tepco disse que a escala do desastre de março foi além do que a empresa e mesmo o governo haviam antecipado. "Podemos dizer que os terremotos e tsunamis precisam ser considerados mais seriamente, e que o governo e especialistas do setor também precisam fazer uma auto-avaliação rigorosa", disse a comissão, acrescentando que a Tepco pode ter sido complacente ao assumir que tinha mecanismos de proteção suficientes.

Com EFE e Reuters

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