Empresa responsável pela usina de Fukushima terá de compensar pelo menos 80 mil que tiveram de deixar região

A Tokyo Electric Power Company (Tepco) solicitou nesta terça-feira ajuda pública ao governo japonês para enfrentar o pagamento de indenizações pelo acidente nuclear na usina de Fukushima.

A solicitação formal foi apresentada pelo presidente da Tepco, Masataka Shimizu, em uma reunião com o porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, e o ministro da Indústria Banri Kaieda, segundo informou a agência local Kyodo. O governo insistiu que, embora a Tepco seja a responsável por abonar as indenizações, deve-se assegurar que os evacuados recebem as compensações.

As indenizações pela crise de Fukushima, que provocou a retirada de pelo menos 80 mil pessoas em um raio de 20 quilômetros ao redor da usina nuclear, serão muito elevadas, embora a empresa ainda não tenha apresentado os números.

Alguns analistas falam em mais de 60 bilhões de euros, cifras ainda não confirmadas nem desmentidas.

A Tepco já anunciara cortes de 50% nos salários dos membros de seu conselho de administração, de 25% para os empregados em cargos de diretoria e de 20% para o restante do seu quadro.

Nesta terça-feira, Shimizu indicou que os vencimentos dos diretores sofrerão novos cortes e que a organização da empresa será reestruturada, o que pode incluir a venda de ações. No fim de abril, a Tepco começou a distribuir entre os desalojados as solicitações para a reivindicação de indenizações provisórias.

Inicialmente, as compensações serão de 1 milhão de ienes por família (8.350 euros) e 750 mil ienes (6.260 euros) para os que vivem sós. A situação na usina de Fukushima ainda não foi controlada, e os esforços se concentram atualmente em devolver o resfriamento ao reator 1, que pode ser blindado com placas de chumbo ou mediante a construção de um túnel metálico.

Moradores de Kawauchi foram autorizadas a voltar e pegar pertences de suas casas apenas
Reuters
Moradores de Kawauchi foram autorizadas a voltar e pegar pertences de suas casas apenas
Retorno temporário

Com trajes de proteção brancos, máscaras e medidores de radiação, quase 100 desalojados pela crise na usina nuclear de Fukushima retornaram a suas casas nesta terça-feira para recolher pertences. No total, 92 residentes do povoado de Kawauchi foram os primeiros deslocados a entrar no perímetro de exclusão de 20 quilômetros ao redor da central, informou a emissora "NHK".

Os desalojados de outros oito municípios afetados pelas emissões da central poderão visitar seus lares durante esta semana.

Em 22 de abril, o governo declarou ilegal a entrada em um raio de 20 quilômetros da usina nuclear de Fukushima Daiichi, danificada pelo terremoto e o devastador tsunami de 11 de março, catástrofe que deixou 14.919 mortos e 9.893 desaparecidos, segundo o último boletim.

*Com EFE

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