Autoridades japonesas elevam alerta de crise nuclear para nível máximo 7, o mesmo do desastre ocorrido em Chernobyl em 1986

A Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que opera a usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, poderá ter de pagar até US$ 26 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões) em indenizações, segundo avaliação do banco JP Morgan.

A companhia está tentando conter um vazamento de radiação na central nuclear e, nesta terça-feira, as autoridades do Japão elevaram a gravidade da crise nuclear no país para o nível máximo, o nível 7, o mesmo adotado na crise nuclear desencadeada pelo desastre de Chernobyl, em 1986.

A decisão de elevar o nível de ameaça foi tomada depois que especialistas estimaram em o nível de radiação em 10 mil terabecquerels (TBq) por hora na usina de Fukushima por várias horas. A medição seria compatível com a classificação de nível sete, segundo a Escala Internacional de Eventos Nucleares.

Não ficou claro quando exatamente esse nível foi atingido, mas os níveis teriam em seguida caído para menos de um TBq por hora, segundo relatos locais. O nível sete significa "um grande acidente" com "consequências mais amplas" que o nível anterior, segundo as explicações dos especialistas.

Legislação

Analistas afirmam que, no que diz respeito às indenizações que a Tepco poderá ter de pagar, muito dependerá de como a lei japonesa para esses casos é interpretada. De acordo com a legislação, os operadores de uma instalação nuclear podem ser isentos de encargos se o acidente em uma usina for desencadeado por um desastre natural de caráter excepcional.

Segundo os analistas, a decisão de encaixar ou não a atual crise nesse tipo de situação poderá determinar o destino da Tepco. "Uma questão importante no que diz respeito às indenizações é se o acidente na usina nuclear de Fukushima pode ser considerado um desastre natural inevitável", afirmou Tomohiro Jikihara, da JP Morgan à BBC.

O governo japonês ainda deve decidir se vai classificar o terremoto seguido de tsunami como um desastre excepcional.

Enquanto a companhia luta para conter a crise nuclear, as ações da Tepco registraram queda na bolsa de valores de Tóquio. As ações da Tepco perderam mais de 75% de seu valor desde 11 de março e estão chegando à cotação mais baixa já registrada. 

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, afirmou nesta terça-feira que os produtos da região em volta da usina de Fukushima são seguros, apesar dos vazamentos radioativos ocorridos depois do terremoto e do tsunami que atingiram a instalação em março.

Kan disse que os níveis de radiação agora estão caindo, e o consumo dos produtos locais são uma forma "de dar apoio à região". "As pessoas não devem ficar em um estado extremo de comedimento. Pouco a pouco, os reatores da usina de Fukushima Daiichi estão se aproximando da estabilidade", acrescentou.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que dados coletados a partir das últimas análises de alimentos mostraram que a contaminação na região estava abaixo dos limites estabelecidos pelo Japão. "Amostras de vários vegetais, frutas, várias carnes, frutos do mar e leite de oito províncias indicaram que iodo 131, césio 134 e césio 137 não foram detectados ou então estão abaixo dos valores regulamentados", afirmou o vice-chefe da agência Denis Flory. 

Nível

Até agora, o grau de gravidade da crise nuclear no Japão estava no nível cinco, o mesmo do acidente em Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979.

Ao anunciar a mudança, um representante da Comissão de Segurança Nuclear do Japão afirmou que se tratava de uma avaliação preliminar que ainda precisa ser confirmada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"Estamos elevando o nível de gravidade para sete já que o impacto dos vazamentos de radiação se alastrou pelo ar, alimentos, água encanada e o mar", disse Minoru Oogoda, da Agência de Segurança Nuclear e Industrial do Japão.

Segundo a agência de notícias Reuters, um representante da Tepco, a empresa que opera a usina de Fukushima, disse que os vazamentos radioativos não pararam completamente e poderiam acabar excedendo aqueles de Chernobyl.

No entanto, um porta-voz da Agência de Segurança Nuclear japonesa afirmou que os vazamentos ainda são pequenos se comparados ao da usina na Ucrânia, que ainda era parte da União Soviética na época do acidente. "Em termos de volume de materiais radioativos liberados, nossas estimativas mostram que se trata de cerca de 10% do vazamento de Chernobyl", disse ele.

O Japão também decidiu ampliar a zona de evacuação em torno da usina nuclear afetada, por causa da preocupação com o vazamento radioativo.

A zona passará a incluir cinco comunidades fora do raio de 20 quilômetros estabelecido anteriormente, após novas informações sobre os níveis de radiação acumulada, que teriam ultrapassado os limites anuais em áreas 60 quilômetros a noroeste da usina e cerca de 40 quilômetros a sul-sudoeste do local.

No Leste do Japão, um novo tremor de magnitude 6,3 pôde ser sentido nesta terça-feira, o segundo em apenas dois dias. O Aeroporto Internacional de Narita fechou suas pistas temporariamente e os serviços de trem e metrô foram interrompidos, na capital, Tóquio.

Os tremores secundários acontecem um mês depois que um violento terremoto e um tsunami atingiram o país, deixando quase 28 mil pessoas mortas ou desaparecidas.

Com BBC

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.