Islamabad, 29 jun (EFE) - A operação militar contra os insurgentes na faixa tribal paquistanesa de Khyber, próxima ao Afeganistão, continuou hoje com a tomada de um distrito, a morte de um líder fundamentalista e o envio de mais tropas.

As forças de segurança assumiram o controle das regiões de Shalobar e Aqa Khel, situadas no distrito de Bara, e os combates continuam em outras partes de Khyber, segundo o canal "Geo TV".

Em Aqa Khel, um líder do grupo islamita Lashkar-e-Islam morreu e três membros das forças de segurança paquistaneses ficaram feridos.

Além disso, dois refúgios desta organização foram destruídos pelas tropas paquistanesas.

Os soldados e os agentes tentam estender agora suas operações para outras áreas de Khyber, enquanto muitos dos aldeões buscam fugir para a próxima cidade de Peshawar, capital da Província da Fronteira do Noroeste (NWFP).

Cerca de 20 veículos militares blindados chegaram hoje a Bara a fim de reforçar a presença das forças paquistanesas na região.

A ofensiva começou no sábado, depois que, nos últimos cinco dias, os confrontos entre duas tribos deixaram 60 mortos e 80 feridos no vale de Terah, situado em Khyber.

Na região onde acontece a operação fica a conhecida passagem de Khyber, uma das principais ligações entre o Paquistão e o Afeganistão.

Após a decisão do Exército de entrar em Khyber, o líder talibã paquistanês Baitullah Mehsud suspendeu, no sábado, as negociações de paz com o Governo paquistanês.

O novo Executivo, liderado pelo Partido Popular do Paquistão (PPP), não foi apoiou a política contra o terrorismo do presidente do país, Pervez Musharraf.

Em vez disso, o Executivo apostou em dialogar com os grupos que possuem armas, além de potencializar o desenvolvimento econômico da empobrecida área tribal que faz fronteira com o Afeganistão.

O Executivo assinou acordos de paz com líderes locais no vale de Swat (norte) e em várias reservas tribais, o que não evitou que a violência continuasse no conflituoso noroeste paquistanês.

Dois soldados paquistaneses morreram hoje na explosão de uma bomba detonada por controle remoto, que explodiu quando o veículo em que estavam passava pela região de Swat.

As forças de segurança patrulhavam a área de Ronyal quando uma bomba colocada na estrada explodiu e causou as duas mortes, informou uma fonte militar citada pela "Geo TV".

Após o atentado, o toque de recolher foi instaurado em Ronyal.

Em Seenpura, também em Swat, duas pessoas morreram por disparos de homens não identificados, enquanto em outro ponto do vale, em Taharan, um aldeão faleceu em um tiroteio.

O Governo paquistanês autorizou esta semana o chefe do Exército, Ashfaq Pervez Kiyani, a efetuar as ofensivas militares que achar convenientes no noroeste do Paquistão.

A operação em Khyber, que é conhecida por ser uma das regiões com menor presença talibã da NWFP, coincide com os temores da população de que os insurgentes possam tomar a próxima cidade de Peshawar.

Mehsud já negou que os fundamentalistas quisessem entrar em Peshawar, embora tenha afirmado que eles têm capacidade suficiente para fazer isso.

Na NWFP predomina a etnia pashtun - a mesma dos talibãs - e a inteligência americana suspeita de que líderes da insurgência talibã e da rede terrorista Al Qaeda possam estar escondidos nas áreas tribais do local. EFE igb/fh/db

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