Operações de busca resgatam 17 corpos e dezenas de partes de A330 da Air France

Navios do Brasil e da França resgataram neste fim de semana um total de 17 corpos dos ocupantes do Airbus da Air France que desapareceu na última segunda-feira com 228 pessoas a bordo no oceano Atlântico, além de dezenas de componentes estruturais, informaram autoridades dos dois países.

AFP |

"Um total de 17 corpos foram resgatados na área de buscas, assim como dezenas de novos componentes estruturais da aeronave", indicaram a Força Aérea e a Marinha do Brasil na tarde deste domingo, ao fazer um novo balanço das operações de busca.

O porta-voz da Força Aérea Brasileira (FAB), o tenente coronel Henry Munhoz, indicou em uma entrevista coletiva na tarde deste domingo que nove corpos foram recuperados pela fragata brasileira 'Constituição' - dois deles haviam sido recolhidos antes por outro navio brasileiro no sábado - e oito pela fragata francesa 'Ventose'.

As autoridades brasileiras também informaram ter encontrado "centenas de objetos" pertencentes aos passageiros, mas explicaram que não darão detalhes por enquanto para evitar aumentar a pressão sobre os familiares das vítimas.

Entre os destroços encontrados, foram mencionadas poltronas, máscaras de oxigênio, cabos, partes de uma asa e telas de DVD.

"Os restos do avião ficarão em Recife à disposição da investigação do acidente que a França está realizando", disse Munhoz.

O governo francês anunciou em Paris que o submarino nuclear de ataque 'Emeraude' chegará na quarta-feira à região de buscas para procurar pelas caixas-pretas da aeronave.

Os corpos resgatados no sábado são do sexo masculino, e entre os 15 encontrados neste domingo, pelo menos quatro são mulheres e quatro são homens. As autoridades indicaram que um dos corpos não pôde ser ter o gênero identificado, e não há informações sobre os cadáveres recolhidos pela embarcação francesa.

A fragata 'Constituição', que leva os corpos e objetos recolhidos, está a caminho do arquipélago de Fernando de Noronha, a 350 km da costa e 825 km a leste da área de buscas, onde deve chegar na terça-feira, informaram as autoridades.

A maior parte dos cadáveres e restos foram localizados em uma área a 1.150 quilômetros da cidade de Recife.

O coordenador da equipe de peritos forenses enviada a Fernando de Noronha disse neste domingo que não há como prever quanto tempo levará a identificação de todos os corpos resgatados.

Jeferson Evangelista Correia, perito da Polícia Federal de Brasília e coordenador da equipe, afirmou em uma entrevista coletiva que "como em todo processo de identificação, não há como dizer quanto tempo vai levar".

Correia explicou que "o trabalho de identificação começa aqui (em Noronha), continuará no Recife e depois segue a partir dos exames digitais e de DNA em Brasília", acrescentando que, apesar do "clamor popular" pelo esclarecimento do acidente, "é preciso ter paciência".

Neste domingo, três peritos policiais se somaram a outros cinco da PF, que chegaram um dia antes à principal ilha do arquipélago de São Pedro e São Paulo. Lá, eles montarão um pequeno centro de perícia, destinado à "pré-identificação" dos cadáveres.

"O final da identificação dos corpos poderá ser muito rápido em algumas situações, nas que conseguirmos recolher uma boa impressão digital e quando o corpo chegar a Recife. Se for o caso de um brasileiro que já tenhamos registrado em nosso banco de dados digital, pode ser que em poucas horas depois consigamos fornecer as identidades", afirmou.

O coordenador anunciou, por outro lado, que a próxima etapa consiste em catalogar os corpos e os objetos pessoais dos passageiros do avião para agilizar o processo, o que também exigirá a participação de familiares das vítimas.

Correia destacou que "se o corpo não for de um brasileiro, que não está registrado em nosso banco, poderemos ter dificuldades" para a identificação, concluindo que "nosso trabalho vai terminar logo depois que recolhermos material do último corpo que for encontrado".

O secretário francês dos Transportes, Dominique Bussereau, afirmou neste domingo que, neste momento, "não se pode privilegiar nenhuma hipótese" sobre o desastre, reconhecendo que a localização de corpos e destroços ajudará a "investigar mais".

"Desintegração em voo, choque ou impacto contra a superfície do oceano; neste momento, não existe nenhum indício que permita privilegiar uma ou outra hipótese", declarou Bussereau a uma emissora francesa.

gm-mr-llu/ap

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